terça-feira, maio 24, 2011

CRISTOLOGIA VICÁRIA: O SIGNIFICADO POLÍTICO E TEOLÓGICO DA MORTE DE JESUS

Tendo em vista a extensão, esse texto será publicado em 03 partes (Parte 01)

“Estamos habituados a entender a morte de Jesus conforme os relatos da paixão no-la referem. Aí aparece claro que sua morte foi por nossos pecados, que ela correspondia às profecias do Antigo Testamento e que realizava parte da missão divina confiada a Jesus pelo Pai e que isso era necessário ao plano salvífico de Deus. Estas interpretações realça~m a verdade transcendente da entrega total de Deus, mas podem nos induzir numa falsa conpreensão do verdadeiro caráter histórico do destino fatal de Jesus” (Leonardo Boff)
DEVEMOS RECONHECER AS DIFICULDADES de abordar um tema que envolve discutir o significado social, político e teológico da morte de Jesus. Primeiro pelas ambigüidades das fontes que tratam do assunto; e em segundo lugar pelo pluralismo teológico-doutrinário que envolve; devido às diversas abordagens a que o assunto tem sido submetido.
A Formulação de conceitos estabelecidos a priori (pré-conceitos) dogmatizaram e cristalizaram a questão, limitando o horizonte a ser pensado no que respeita às razões que levaram Jesus de Nazaré à cruz.
Não temos a pretensão ser canônicos ou dogmáticos; de forma que respeitando as opiniões em contrário (e é importante que elas existam), propomos uma análise dos conceitos e imagens que envolveram a morte de Jesus no período pós-pascal. Não pretendemos fechar a questão sobre o tema, pelo contrário desejamos abrir o debate para aprofundar a discussão em busca de verdades que apesar de terem sido historicamente relegadas como heréticas, possam lançar luz sobre o REAL SIGNIFICADO DA MORTE DE JESUS.
OS FUNDAMENTOS SOCIOLÓGICOS DA CRISTOLOGIA VICÁRIA
Em seu dilema para entender a tragédia que se abateu sobre a comunidade dos primeiros discípulos com a morte de Jesus, a igreja terminou por interpretar essa morte como sacrifício expiatório por nossos pecados, refletindo concepções religiosas cristalizadas no judaísmo e presentes na soteriologia do primeiro século. Encontrar uma explicação para essa morte trágica, esse foi o grande desafio dos discípulos; como entender que o Cristo pudesse morrer numa cruz? Exatamente uma morte reservada para os malditos? A resposta veio da leitura do Antigo Testamento, segundo eles, era necessário que o cristo morresse para expiar o pecado da humanidade, assim através do uso de vaticínios ex eventos, formulou-se a teologia segundo a qual a morte de Jesus é morte vicária, substitutiva segundo os eternos decretos de Deus.
O próprio Jesus manifestou em seu ministério terreno, forte convicção de está cumprindo a vontade do Pai; más qual era a vontade do Pai? A sua morte ou a obediência até a morte (fil. 4) ou inda que na morte? Teria sido Jesus pré-destinado na eternidade para morrer para assim, atender aos desígnios de do Pai? Até que ponto a morte de Jesus foi plano de condição para a salvação da humanidade.
A pregação de Jesus foi um convite ao arrependimento como condição para a salvação: “Arrependei-vos e crede no evangelho” (Mc 1:15), Ora se a salvação se processa pela morte, qual o objetivo de Jesus ao chamar o homem ao arrependimento se ele ainda não havia morrido? As tipologias presentes na pregação de Jesus e a sua identificação com elementos do culto e da vida do povo de Israel (caminho videira, pão, água, luz cordeiro) não devem ser interpretadas de forma literal, elas são representações tipológicas, símbolos e metáforas do seu ministério profético, identificar Jesus com o cordeiro que deve ser morto desprezando as demais imagens, como pão, água, etc, é fazer uma exegese arbitrária do texto Bíblico. Para entendermos a morte e a ressurreição de Jesus e o seu real significado no processo de salvação do homem; precisamos olhar não somente para a cruz (estaurologia), mas especialmente para a sua vida, para o ambiente histórico no qual ele estava inserido e no meio do qual desempenhou a sua missão
A MORTE DE JESUS COMO RESULTADO DE SUA ATUAÇÃO HISTÓRICA.
Embora tenha sido compreendida dentro da moldura da morte sacrificial expiatória, portanto, indispensável ao processo soteriológico, no entanto, é preciso entender que a morte não foi o alvo e sim o último obstáculo no caminho da salvação proposta na missão de Jesus.
Desde a antiguidade, Deus enviou seus mensageiros aos homens (Moisés, Elias e demais profetas) com a missão de anunciar as boas novas de perdão. A morte dos enviados (a exemplo de João o Batista) e finalmente do Filho, não fazia parte dos planos do Pai. Podemos dizer que a morte de Jesus foi uma consequência de sua atuação histórica. Para Leonardo Boff, a morte de Jesus não é uma necessidade metafísica, foi consequência de um conflito e o termo de uma condenação judicial, portanto da decisão e do exercício da liberdade. “A pessoa histórica de Jesus atraiu sobre si a condenação ao criticar as estruturas alienantes o seu tempo, ao defender os homens contra as absolutizações da religião judaica, afirmando valores novos para a salvação, diferentes daqueles “possíveis”. Para Jesus, não se pode amar e servir a deus a não ser no próximo em quem deus está presente de forma anônima. Além disso, a aceitação de Jesus entre as camadas mais pobres da sociedade causava preocupações entre as autoridades, provocando inveja e indisposição uma vez que a crítica social e religiosa de Jesus atingia os mais influentes entre o povo, entre eles, os sacerdotes, os escribas e Herodes. Sobre esse conflito, o Apóstolo João registra as palavras das autoridades religiosas judaicas: “Se deixarmos assim todos crerão nele, virão os romanos e destruirão nosso lugar santo e a nação” (João 11:48)
JESUS UM HEREGE LIBERAL
É preciso destacar ainda que dentre outras razões que levaram Jesus à morte a sua atitude liberal diante das estruturas religiosas de seu tempo. Mesmo sem uma ordenação formal (profética sacerdotal ou rabínica) Jesus ensinou de forma livre, sem os casuísmos aplicados à interpretação da Lei, quebrando paradigmas e proibições legais e tolerando em sua companhia pessoas consideradas impuras; publicanos, pecadores, leprosos, enfermos, prostitutas, etc, rompendo com a estratificação instituída, atraindo sobre si toda sorte de críticas de seus opositores (mat. 11:19; Luc. 7: 39; c? 2:16. Devemos acrescentar ainda que Jesus falava de Deus em palavras e gestos considerados como blasfemos (Mc 2:7); tais atitudes provocaram uma ruptura dentro do sistema, levando os homens a decidir pro ou contra ele. Podemos dizer então que: formalismos religiosos, desejo de poder e de manter privilégios assegurados foram os motivos principais que levaram os inimigos de Jesus a se unirem contra ele, conduzindo-o à morte na cruz. Em outras palavras, as autoridades religiosas judaicas não podiam tolerar que as idéias heréticas pregadas por um jovem liberal fossem ensinadas ao povo, isso representava um perigo para a correta interpretação da Lei. Transformar a morte de Jesus em uma trama a-histórica travada nas regiões celestes pela qual alguém deveria ser sacrificado para salvar os homens, não se coaduna com a realidade extraída dos relatos bíblicos.

Palestra proferida no SETBAL durante o Seminário sobre Cristologia.
Nota: As citações não trazem referencia a obras e páginas elas remetem aos livros indicados de cada autor. O texto preservou a informalidade inerente a uma palestra.
Para continuar o debate:
DUCQUOC, C.H.. Cristologia: O Messias. Ensaio Dogmático, Vozes
DOYON, J. Cristologia Para o Nosso Tempo, Paulinas
BOFF, Leonardo, Jesus Cristo o Libertador, Ensaio de Cristologia Crítica, Vozes
BOFF, Leonardo. Teologia do Cativeiro e da Libertação, Vozes
BULTMANN, Rudolf. Jesus Cristo e Mitologia. Fonte editorial
SANDER, Luis Marcos. Jesus o Libertador, A Cristologia de Leonardo Boff, Vozes.
CRABTREE, A.R. Teologia do Velho Testamento, Juerp.
GOPPELT, Leonardo. Teologia do Novo Testamento- Sinodal/Vozes

PARA CONTINUAR LENDO ESSE TEXTO, CICK AQUI:


Leia Mais…

sábado, janeiro 01, 2011

A LENDA DO LOBO-PASTOR

Pastor e lobos têm algo em comum: ambos se interessam e gostam de ovelhas, e vivem perto delas. Assim, muitas vezes, pastor e lobos nos deixam confusos para saber quem é quem. Isso porque lobos desenvolveram uma astuta técnica de se disfarçar em ovelhas interessadas no cuidado de outras ovelhas. Parecem ovelhas, mas são lobos. (Lucivaldo de Paula)[1]

Há muitos e muitos anos, numa terra muito distante, havia um pequeno rebanho de ovelhas. Esse rebanho era cuidado por um pastor muito simples; ele vivia no meio delas, conversava com elas e distribuía o alimento diário. Cuidava das doentes, curava as feridas, e amparava as que por alguma razão enfrentavam crises. Havia muita comunhão, entre as ovelhas, cada uma cuidava da outra de forma que entre elas não havia necessitadas. O pastor ensinava sobre o respeito às diferenças, e incentivava as ovelhas a viverem em liberdade.

Tudo parecia bem, até que uma inquietação começou a tomar conta das ovelhas. Elas já não se contentavam com as orientações do pastor; ele parecia não ter “poder” nem “autoridade do Espírito”; elas queriam um pastor mais enérgico, mais poderoso, e que fizesse o rebanho crescer. Essa inquietação teve início quando algumas ovelhas ouviram alguns programas de rádio e televisão. O problema se agravou quando uma ovelha fugiu do aprisco e foi visitar os rebanhos dirigidos por esses tele-pastores. Quando voltou, ficou maravilhada e contou às outras o que tinha visto: cegos enxergavam, surdos ouviam, paralíticos andavam, enfermos de todo tipo eram curados, sinais e milagres eram feitos pelo pastor daquele rebanho, e concluiu que bom mesmo era ter um pastor poderoso.

Todas concordaram que: aquele pastor sim era um pastor de verdade; ele fazia milagres, curava apenas com gestos, derrubava pessoas com o paletó, ensinava sobre libertação, batalhas espirituais, fazia campanhas de vitória, correntes de milagres, coisas impossíveis aconteciam por lá.

A partir desse dia teve início um movimento naquele aprisco. As ovelhas se revoltaram, destituíram o pastor e resolveram convidar um pastor diferente.

Naquela mesma região também vivia um lobo muito astuto. Ele falava bem a língua das ovelhas. Conhecia os jargões usados por elas e constantemente os repetia. Sabia o que as ovelhas gostavam de comer e servia abundantemente tudo o que elas mais apreciavam. Além disso, o lobo mais do que nenhum outro, conhecia ovelhas.

Sabendo da vacância do cargo de pastor daquele rebanho, o lobo se candidatou à vaga. Para tanto, ele se vestiu com uma pele de ovelha, aprendeu a falar como ovelha e a se alimentar como elas (mesmo que escondido continuou a comer carne). Ensaiou um discurso piedoso e fingiu cuidar do rebanho. Em pouco tempo o lobo ganhou a confiança das ovelhas e passou à condição de pastor delas.

Além disso o agora lobo-pastor tinha verdadeira atração por títulos, logo após tomar posse, começou a se auto conceder títulos “lobo de Ovelheus”[2] e “Ungido”. Posteriormente se auto-intitulou “Lobo-Bispo”, depois juntou um grupo de “lobos-pastores” e “Lobos-bispos” e se auto-ordenaram “Lobos-Apóstolos”, e ainda exigiam que todos os chamassem assim.

O lobo-pastor possuía um livro enorme de capa preta de onde ele extraia as orientações para as ovelhas. O livro tinha resposta para tudo, e o que não estivesse escrito nele não era permitido fazer. O lobo-pastor interpretava as verdades ali escritas que deveriam ser seguidas ao pé da letra; quem ousasse questionar sua opinião era logo tachado de “rebelde e feiticeiro”, tendo como base um versículo extraído do livro que dizia que “a rebeldia é como o pecado de feitiçaria, e a arrogância é como a iniqüidade de idolatria" (Livro de Lobuel: 15:23a)[3]. Dito isso, todas as ovelhas acatavam suas ordens por mais absurdas que fossem, sem reclamar, para não cair no pecado da desobediência. Suas pregações eram sempre moralistas, pregava abstinências e exigia sacrifícios.

O lobo-pastor tinha grandes projetos para realizar, e desafiava as ovelhas a contribuir acima de suas posses, sob o argumento que isso era prova de fé. Enquanto as ovelhas pastavam juntas no aprisco, o lobo sob o argumento de ser “digno de honras” morava em uma casa enorme com todo conforto. Inicialmente o lobo comia a comida das ovelhas, porém, sua natureza de lobo falou mais forte e ele começou a se alimentar da carne das ovelhas, e a usar as melhores peles de ovelhas para se vestir. O lobo-pastor era duro e exigia obediência absoluta de todos sem questionamentos, alegando ser ele o “escolhido de Ovelheus” para dirigir o rebanho

Um dia as ovelhas caíram em si descobriram tarde demais que existem diferenças fundamentais entre pastores e lobos[4] e lembraram com saudade dos tempos antigos. Então pesquisando um pouco mais perceberam que: Pastor cultiva o aprisco, lobo cria armadilhas; pastor busca o bem das ovelhas, lobo busca os seus bens; pastor vive à sombra da cruz, lobo vive à luz de holofotes; pastor chora pelas suas ovelhas, lobo faz as ovelhas chorarem; pastor tem autoridade espiritual, o lobo é autoritário e dominador; pastor tem fraqueza, lobo é forte e poderoso; pastor olha nos olhos, lobo conta cabeças; pastor admite erros, lobo é dono da verdade; pastor tem amigos, lobo tem admiradores; pastor vive o que prega, lobo prega o que não vive; pastor ora em secreto, lobo só ora em público; pastor vive para suas ovelhas, lobo se abastece delas; o pastor vai ao púlpito, o lobo sobe ao palco; pastor se interessa pelo crescimento das ovelhas, o lobo pelo crescimento das ofertas; pastor alimenta as ovelhas lobo se alimenta de ovelhas; pastor busca a discrição, lobo se autopromove; pastor usa as Escrituras como texto, o lobo usa como pretexto; pastor se compromete com o Reino, lobo tem projetos pessoais; pastor vive uma fé encarnada, a fé do lobo é espiritualizada; pastor ajuda as ovelhas a serem independentes, lobo cria dependência dele; pastor é simples e comum, lobo é vaidoso e especial; pastor tem dons e talentos, lobo tem cargos e títulos; pastor dirige igrejas-comunidades, lobo dirige igrejas-empresas; pastor pastoreia as ovelhas, lobo as seduz.

Então as ovelhas se lembraram dos conselhos de um antigo pastor do qual elas haviam esquecido: "Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós disfarçados em ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores (Mateus 7:15).


[1] http://lucivaldodepaula.blogspot.com/2010/01/pastores-e-lobos-tem-algo-em-comum.html

[2] “Ovelheus” era o nome como as ovelhas chamavam seu Deus.

[3] Lobuel era um livro cujo conteúdo era parecido com I Samuel.

[4] Osmar Ludovico. Sobre Pastor e Lobo. http://www.adital.org.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=31404

Leia Mais…

segunda-feira, dezembro 27, 2010

HOMENAGEM PRESTADA PELOS FORMANDOS EM TEOLOGIA DO SEMINÁRIO TEOLÓGICO BATISTA DE ALAGOAS – SETBAL

Quero prestar essa homenagem ao nosso reitor e professor Neilton Santos Azevedo, memorando a figura do titã Prometeu.

Na mitologia grega, foi dado a Prometeu e a seu irmão Epimeteu a tarefa de criar os homens e todos os animais. A Prometeu foi encarregado a supervisão da tarefa e a seu irmão foi conferido dar a cada animal os dons variados de coragem, força, rapidez, sagacidade; Asas a um, garras a outro, uma carapaça protegendo um terceiro, e assim por diante. Porém, quando chegou à vez do homem, o irmão de Prometeu tinha gastado todos os recursos nos outros animais. Por conta disso, ao homem, que para a mitologia grega, fora feito do barro não lhe foi dado nenhum atributo.

Para que esse homem não fosse abandonado à própria sorte, Epimeteu apelou a Prometeu, para que este fizesse algo em favor daqueles mortais. Prometeu vendo a situação onde se encontrara o homem decidiu roubar o fogo dos deuses e entregar a eles. Todavia, o fogo era exclusivo dos deuses. Mesmo assim, Prometeu executou seu intento.

Como castigo a Prometeu, Zeus ordenou que ele fosse acorrentado no monte Cáucaso e ali, uma ave de rapina lhe dilaceraria o fígado, que todos os dias, regenerava-se. Esse castigo duraria 30.000 anos.

O que Prometeu entregou aos homens mudou o seu fatídico destino. A partir do fogo o homem conquistou um, como diz Neilton, “caleidoscópio” de saberes que é o conhecimento que temos hoje, onde chegamos a conhecer desde as grandezas astronômicas do macrocosmo até as grandezas quânticas do microcosmo.

Eu iniciei minha fala contando, em breves palavras, a tragédia de Prometeu, pelo fato de ser de domínio público uma analogia de Prometeu a figura do professor, do educador.

Você, Neilton Santos Azevedo, que até a presente data está Reitor do SETBAL, e tem dentro de suas atribuições a tarefa de supervisionar. Também ousou nos entregando o fogo da teologia. Com isso não estou dizendo que você nos forjou. Não estou dizendo que somos crias suas, não estou dizendo que ao chegarmos no SETBAL não tínhamos nenhuma experiência teológica. Más sim quero dizer que você incendiou os nossos juízos! É fato, e tenho testemunhos, que alguns iam dormir com a cabeça fumegando! Se é que é possível dormir assim?! Em nossas mentes, esse fogo consumiu construções ideológicas, doutrinárias, confessionais; conceitos sobre o divino e o humano.

Também como Prometeu você não deixando os teólogos, que aqui se encontram e a tantos outros que passaram pelo SETBAL, entregues a própria sorte. Mas sim, contribuiu para que escolhêssemos a que caminho nos entregar. Durante esses anos onde você assumiu ser professor em muitas das disciplinas da grade curricular do SETBAL, também como Prometeu, foi punido. Desta feita, não pelos deuses gregos, ciumentos por ter partilhado o fogo, com os meros mortais humanos, mas pelos que acreditam que o inquietante saber acadêmico deve ser restrito as paredes dos seminários teológicos, como bem falou ontem o professor Jairo Lucas, em sua reflexão, em nosso culto de Ação de Graças. E nesse aspecto esses são semelhantes aos deuses, inseguros, imperfeitos.

Você também teve seu castigo diário. Não. Não teve o mesmo destino agonizante daquele titã. No seu caso, a punição vem de verdugos menos nobres. Você foi fustigado covardemente por caricaturas de homens travestidos de lideres religiosos, que se acham os detentores do o que é melhor para o futuro da nossa denominação. Ano a ano, as críticas do modelo pedagógico ou do estilo didático, estavam presentes. E vinham de muitos lados. Esses açoites verbais feitos pelas costas, sem o direito de resposta, também são agonizantes, pois com o passar do tempo desgastam e consomem.

Com essa homenagem quero lhe entregar um unguento, que tem a intenção de agir terapeuticamente onde estão estas feridas. Ele é uma tentativa de talvez lhe dar refrigério a essas dores, e lhe incentivar a continuar na caminhada, onde quer que você esteja ou onde quer que você vá. Também eu o ofereço a todos e todas que verdadeiramente contribuíram para a nossa formação teológica e nos deu ferramentas para aperfeiçoar nosso vocacionado.

Não encontrei um nome para dar a esse bálsamo, então pensei em nomeá-lo GRATIDÃO.

Obrigado por nos ensinar identificar as amarrações e armações teológicas; Obrigado pelos conselhos dentro e fora da sala de aula; Obrigado por nos olhar com misericórdia, e não como concorrência; Obrigado por nos receber como irmãos e não somente como alunos; Obrigado por nos provocar a reproduzir os valores do Reino de Deus e a continuar a promover o Evangelho de Jesus Cristo.

A você, Neilton Santos Azevedo, muito obrigado. E até um novo encontro.

OBS.: Os parágrafos 2, 3 e 4 foram adaptados da pesquisa sobre Prometeu extraído do Wikipédia, a enciclopédia livre.

O texto foi escrito e lido pelo formando Johndalison Tenório da Silva no dia 17/12/2010, no templo da Igreja Batista do Pinheiro, durante a solenidade de formatura dos graduandos em Teologia do Seminário Teológico Batista de Alagoas- SETBAL, do qual fui professor por 18 anos e reitor por 10 anos.

Leia Mais…

sábado, novembro 13, 2010

MANIFESTO CONTRA O EXTERMÍNIO DE MORADORES DE RUA EM MACEIÓ MANIFESTO DE ENTIDADES CRISTÃS CONTRA O EXTERMÍNIO DE MORADORES DE RUA EM ALAGOAS

Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos
Mateus 5,6

Nós, representados pelas entidades cristãs que abaixo assinam este documento, desejamos nos dirigir a toda sociedade alagoana e a esta honrosa entidade, rogando-lhes que contribuam para uma intervenção contundentemente e comprometida com a apuração dos fatos envolvendo os assassinatos dos (até aqui) 31 moradores de rua em Maceió. Como entidades identificadas com o Evangelho da Vida (João 10,10), nos sentimos envergonhados por nosso estado estar sendo mais uma vez mencionado na mídia nacional como um lugar onde impera a cultura da morte. Entendemos, à luz de nossa fé, que cada pessoa humana, independente de sua condição de raça, credo, gênero, ou classe social, é imagem e semelhança do Criador (Gênesis 1,26-27), o que lhe confere total dignidade e valor. Ademais, cremos ainda que é dever dos estados democráticos fazer com que os Direitos Humanos sejam amplamente promovidos em favor de toda a sociedade.
Como entidades identificadas com o Evangelho de Jesus Cristo, desejamos manifestar nossa solidariedade às famílias dos 31 moradores de rua assassinados em Maceió, pois reconhecemos que a Boa Nova de nossa fé tem nos pobres um lugar privilegiado (Lucas 4,18-19). Neste sentido, unimos nossas vozes, em primeiro lugar, à Arquidiocese de Maceió na pessoa de seu Arcebispo Dom Antonio Muniz Fernandes, assim como a todas aquelas entidades e demais pessoas de boa vontade, para quem a vida é o dom mais precioso ofertado por Deus aos seres humanos. Reiteramos, portanto, nossa solicitação para que as entidades competentes não meçam esforços no sentido de oferecer à sociedade alagoana uma resposta rápida e uma intervenção urgente a fim de que cesse o clima de terror instalado nas ruas de nossa capital. Até quando nossas autoridades tratarão com parcimônia a cultura de morte que insiste em marcar o estado de Alagoas? Até quando os mais pobres, especialmente estes que agora são vítimas pontuais dos crimes de mando, permanecerão à mercê do Direito à Vida, que é o mais fundamental entre todos? Até quando nossas autoridades políticas tratarão o problema da segurança pública como um problema de poucos, em detrimento de todos os alagoanos e alagoanas?
Com este manifesto, desejamos tornar público a toda sociedade alagoana nosso repúdio ao presente estado de coisas. Ele nos envergonha e nos enche de consternação. Os moradores de rua, vítimas dos presentes crimes na nossa capital, são filhos e filhas de Deus e nossos irmãos e irmãs. Todavia, tal vergonha e consternação com os últimos fatos decorridos não anulam nossa esperança numa mudança estrutural. A sede de justiça é uma marca do Povo de Deus (Mateus 5,6). Fomentados por ela é que concluímos este manifesto e esta petição, rogando mais uma vez a esta entidade para que, junto com as demais entidades competentes, contribuam para que “a justiça corra livre como um rio perene” em nossa querida Alagoas (Amós 5,24).

Solidariamente,

Fraternidade Teológica Latino Americana (FTL) – Núcleo Alagoas
Convenção Batista Alagoana
Ordem de Pastores Batistas do Brasil - Seção Alagoas
Aliança de Batistas do Brasil
Igreja Batista na Forene (Maceió)
Igreja Batista do Pinheiro (Maceió)
Igreja Batista em Penedo-AL
Igreja Batista Alvorada (Campo Alegre-AL)
Seminário Teológico Batista de Alagoas (SETBAL)
Evangélicos Pela Justiça (EPJ)
Madrugada do Carinho com Deus em Belo Horizonte
Ministério Vida
Congregação Batista em Chã Preta-AL

Leia Mais…