terça-feira, janeiro 19, 2010

SÓCRATES E O ANTÍDOTO CONTRA OS MALES DA EMBRIAGUEZ.

Que bela coisa para nós, na verdade - para mim, para Aristodemo, para Fedro e para os outros convivas – que vós, os fortes em bebedeiras, renuncieis agora às bebidas! Não falo de Sócrates, que bebe e se contém, como se vê, e está pronto a aceitar a decisão que tomarmos (Platão: O Banquete, , p. 26)

Recentemente me encantei com a leitura do livro “Sócrates e o Beba Com Moderação” do escritor Maranhense Ricardo Coelho um jovem do qual ainda ouviremos falar. O que mais me encantou no pequeno opúsculo, foi a forma profunda e ao mesmo tempo descontraída e descomprometida com que o autor tratou de um tema tão sério e importante que é o problema da bebida alcoólica, seus efeitos e conseqüências na vida dos bebedores, suas famílias e na sociedade.

Para produzir a obra que na minha visão se reveste de uma singularidade no ramo, uma vez que não se atem diretamente à bebida e sim foca o bebedor e suas relações com a bebida, o autor se baseia nos escritos de Platão sobre Socrátes: “O Banquete”, “Fédro” e “Apologia de Sócrates”, livros nos quais Platão apresenta o homem Sócrates em suas múltiplas relações com a sociedade ateniense.

Conhecido por frases filosóficas antológicas como “só sei que nada sei” ou pelo lema que guiava sua caminhada existência, a famosa “homem conhece-te a ti mesmo”, encontramos no “Banquete”, outra face do filósofo que poucos conhecem, a sua dimensão erótica, um homem envolvido em farras, e noitadas na cidade de Atenas, cultivador de relações amorosas, que bebe o bom vinho sem se embriagar, ou seja um homem que encontrou o equilíbrio entre a bebida e a sobriedade, entre o “aproveitar a vida” sem desperdiçá-la, um homem que em outras palavras dominava a bebida, e jamais se deixou dominar por ela, uma das mais difíceis tarefas para quem se aventura no mundo da bebida. Na prática o que vemos é que as pessoas sabem a hora de começar a beber mas dificilmente sabem a hora de parar, dessa forma, nas palavras do autor “a bebida rola sem limites, alta velocidade nas estradas, índice de acidentes duplicados, brigas e bagunças são reflexos claros do mau uso da bebida” p. 15. Para sintetizar o conteúdo do precioso livro, destaco alguns tópicos para uma rápida reflexão:

Sócrates bebia mas não ficava bêbado: As pessoas que bebem sabem muito bem que a embriaguez é uma possibilidade real, o excesso de bebida termina sempre em uma inevitável e indesejável bebedeira. De certa forma, Sócrates ensina o caminho para domar a bebida: Jamais beber até ficar bêbado, Sócrates não tomava a famosa “saideira” que na verdade se repete por vezes até que o bebedor desista de sair, permanecendo no local “enchendo o saco dos donos de bares” e contraindo dívidas.

Além disso, a bebedeira de Sócrates não atrapalhava o seu trabalho: A relação entre bebedeira e trabalho é uma conta que não fecha nunca. Embalados pela curtição, muitos caem na gandaia e enchem a cara de cachaça nos finais de semana, indo dormir encharcado até a alma de bebidas, esquecendo que precisam trabalhar na segunda feira. O resultado são olhos vermelhos, pessoas mal humoradas, desconcentração e baixa produtividade no trabalho, muitos passam a segunda feira bocejando e cochilando em frente ao computador, resultando não poucas vezes em demissões.

Sócrates não ficava ressacado, das noitadas de Atenas: A ressaca é o efeito colateral da bebedeira, isso já está pacificado entre aqueles que se aventuram a tomar um porre. Engov, Red Bull, caldo de ovos com carne e cheiro verde são velhos companheiros daqueles que lutam para vencer a cefaléia e o enfado depois de uma noitada bebendo.

Sócrates bebia mas não vomitava nos bares de Atenas: Essa é uma cena conhecida nos bares. O excesso de bebida provoca reações indesejáveis, entre elas o vômito. Muito bem, embora seja verdade que nem todo mundo que se embriaga chegue a este estágio, não se pode negar também que essa seja uma possibilidade real para aqueles que perdem o controle da bebida.

Além disso Sócrates discutia mas não brigava: Ele não era um bebedor chato ou abusado Sócrates bebia e mantinha a polidez. Beber e abusar, falar demais, agir como se fosse rico, inteligente e namorador, são atitudes que muitas vezes se manifestam nas pessoas depois de esvaziar algumas garrafas ou de sorver várias doses. Além disso, muitos se tornam violentos e irritantes ao mesmo tempo, sendo esse um dos motivos das muitas brigas que se originam nas mesas de bares, com resultados catastróficos.

A bebida não afetou a longevidade de Sócrates. Sócrates não morreu de cirrose hepática como infelizmente acontece com aqueles que se deixam dominar pelo vício de beber, fato esse que as vezes antecipa em anos o final de uma vida; na verdade, Sócrates foi morto aos setenta anos envenenado por cicuta, se não fosse assim, provavelmente teria tido uma vida ainda mais longa. Ainda segundo nosso autor, Sócrates bebia, mas não fumava: Um dos problemas que via de regra acompanha quem bebe é a necessidade de fumar, por vício ou por mera ostentação, o resultado é que nesse caso, a saúde do já combalido bebedor acaba se agravando pelos males do cigarro.

Esse texto baseado no livro citado, não tem qualquer conotação moralista ou de condenação explícita a bebida ou a quem bebe; na verdade, ele analisa uma realidade que se manifesta no seio da sociedade com conseqüências as mais duras possíveis, aprender a beber sem se deixar dominar pela bebida talvez seja uma das coisas mais difíceis de se realizar.

Se vale um conselho já desgastado pela mídia, o ideal é que você não beba, e se beber, faça como Sócrates, beba com moderação.
Obs. O livro "Sócrates e o Beba Com Moderação" pode ser encontrado no endereço:
www.eticaeditora.com.br

Leia Mais…

sábado, dezembro 12, 2009

O CÓDIGO SAGRADO: ELEMENTOS DE UMA MAGI-TEOLOGIA PÓS MODERNA

Uma das marcas mais evidentes da religião na era pós moderna, tem sido a busca pela descoberta de códigos, que supostamente abre os segredos milenares que guardam informações criptografadas, conduzindo aquele que os decifrar a tomar posse de informações valiosíssimas e, portanto, a tomar posse de verdadeiros tesouros, no melhor estilo Dan Brow em “O Código da Vinci ou de...em os “caçadores de Tesouros” ou do “Código da Bíblia”, no qual se acredita que a Bíblia possui informações.

Ficção à parte, chegamos ao tempo em que a Igreja se aventura na busca de encontrar esse segredo, alguns conferencistas tem viajado o mundo ensinado as pessoas como se apossar de conhecimentos secretos que abrem as portas para o sagrado. Deus deixou de ser o senhor inescrutável, que age segundo a sua soberana vontade e tornou-se previsível, tornou-se uma marionete que age mediante comandos, frases, palavras mágicas no estilo abracadabra, palavras secretas que uma vez proferidos, abrem as portas da caverna da prosperidade da bênção espiritual e em última análise, da conquista de uma vida farta. Poderíamos intitular a busca de tais “conhecimentos como a procura do “ código sagrado”, ou ainda como “uma chave para Deus” em que consiste esse código.

A OFERTA DECIFRA O CÓDIGO DE DEUS.

Recentemente foi veiculado na Televisão e circula pela Internet, a mensagem pregada por Morris Cerullo, em um dos programas do Silas Malafaia. Em sua mensagem pregada em bom inglês e traduzido para o vernáculo, o citado pregador não teve dificuldade em afirmar claramente que Deus havia revelado a ele um grande segredo. Deus lhe disse claramente que faria algo que jamais havia feito antes, derramaria uma unção de prosperidade sobre as pessoas; acontece que Deus também lhe revelou outro segredo, qual seja a chave para receber essa unção. Segundo ele para ter acesso a tal bênção, era necessário fazer um depósito em uma conta bancária indicada e exibido no monitor da TV, para o ministério do Pastor Silas Malafaia, só depois de feito o depósito Deus derramaria a tal unção. É a queda das máscaras de dois farsantes que insistem em pregar um pseudo evangelho, pregadores de fachada, verdadeiros trambiqueiros, mercadores da fé, que ganham dinheiro vendendo pretensos “segredos divinos” enganando os incautos e lucrando com a miséria alheia.

O JEJUM COMO UMA CHAVE PARA AS REALIZAÇÕES.

Outros buscam no jejum, encontrar a chave que move as ações divinas. O jejum que sempre foi visto como símbolo de tristeza, arrependimento (juntamente com o vestir saco, deitar na cinza, raspar a cabeça, rasgar a roupa) na teologia posterior assumiu o caráter de meio pelo qual aquele que jejua conquista seus objetivos. Não sem motivos, muita gente se entrega a jejuns rigorosos, fazendo da abstinência uma chave para obrigar Deus a atender suas petições. Embora nada de errado em jejuar, há que se entender que jejuns, penitências ou outro exercício espiritual qualquer que seja não abre nenhuma porta para Deus, Deus não age mediante ações programadas. Essa visão teológica da realidade pode ser enquadrada como pura magia supersticiosa, ou magi-teologia, uma mistura entre teologia e magia. De nada adianta negar o alimento ao corpo, isto não fará qualquer diferença na manifestação do sagrado, pelo simples fato de não existir uma chave para desvendar os segredos de Deus.

Leia Mais…

sábado, novembro 28, 2009

MERCADORES DE ILUSÕES

Vivemos um tempo de profundas contradições; uma verdadeira simbiose entre a loucura e lucidez. Verificamos, no presente, que de um lado prolifera o fanatismo religioso, o radicalismo teológico e consequetemente a infantilidade, reduzindo a experiência religiosa a uma espécie de cativeiro eclesiástico. Por outro lado, assistimos a multiplicação de movimentos religiosos que transformam o cenário da religiosidade brasileira em um verdadeiro palco, onde hábeis ilusionistas se apresentam, transformando a espiritualidade numa panacéia capaz de resolver todos os problemas; e a oração, numa cornucópia de onde jorra a realização de todos os desejos, desde os mais sinceros aos mais voluptuosos. Nesse cenário, a religião deixa de ser algo a busca pelo sagrado e em última instância o encontro com o outro que caminha ao nosso lado; ou ainda o desejo de desenvolver e aperfeiçoar as mais sublimes virtudes inerentes ao ser humano; ela se torna o meio mais fácil de realização de desejos incontidos, através de atitudes egoístas de pessoas que buscam apenas se locupletar utilizando para isso de forma infame e perversa, a miséria alheia.

Leia Mais…

terça-feira, novembro 10, 2009

SAIA CURTA, SAIA JUSTA, VIOLÊNCIA E TRAPALHADAS: AS ANTI- LIÇÕES DA UNIBAN

Não pretendia escrever sobre esse episódio teatral que pelas lamentáves cenas já poderia ser chamado de “A novela da saia curta”. Resisti o quanto pude na esperança de que não viesse a passar de um incidente envolvendo jovens e adolescentes de uma universidade, até aí, algo aceitável.

Surpreso eu fiquei com a falta de habilidade dos dirigentes da citada instituição, ao lidar com o assunto, transformando um copo d’água numa tempestade, dando uma demonstração pública de incompetência, e preciosas lições daquilo que não se deve fazer no contexto educacional. Causa espécie, ver que pessoas pelo menos aparentemente tão bem formadas, sejam capazes de trapalhadas jurídicas tão infantis, a ponto de dá inveja ao Chaves e ao Kiko, sem querer ofender os dois.
De qualquer forma, vamos tirar algumas lições desse verdadeiro imbróglio na qual se meteram os dirigentes da Uniban.
Saia curta não pode, ela atenta contra a moral e os bons costumes da universidade. Garotas decentes não vestem saia curta, isso provoca reação de uma comunidade que ainda vive na idade média, alheia à realidade que os cercam. Os alunos da Uniban (e não são todos tem gente boa e educada nesse meio) se parecem mais com alunos de uma universidade Talibã, localizada no coração do Afeganistão. Que tal adotar a Burka como farda para todas as alunas? Isso com certeza deixaria os Aiatolás da Uniban com suas consciências tranqüilas. Santa hipocrisia.
A segunda lição é: Violência e intolerância podem. Parece que o regimento interno da famigerada instituição se esqueceu de acrescentar além da preocupação com a falsa moralidade, também o respeito para com a liberdade dos outros. Parece que esta aula os dirigentes faltaram. O Brasil é um país democrático, as pessoas tem direito de se vestir como bem entenderem; e ainda que seja tolerável a restrição em determinados ambientes, isso deve ser feito dentro dos limites da lei, respeitando a Constituição Federal, mas parece que este documento também é um ilustre desconhecido na Uniban.
Não se pode aceitar que pessoas sejam hostilizadas, achincalhadas, ridicularizadas, agredidas, e finalmente julgadas ao arrepio da lei e sentenciadas a expulsão sumária sem direito de defesa. Doe ver um advogado na televisão tentando explicar o inexplicável. Parece que estou diante do conto infantil Alice no País das Maravilhas que narra a história de um estranho julgamento que submeteu Alice a um Júri Popular.
A presidenta do Júri era a Rainha de Copas, que tinha escolhido também os membros do Conselho de Sentença. Alice respondia pelo crime de lesa-majestade, sem ter idéia do que se tratava, enquanto que a Juíza era sua própria inimiga.
Composto o Júri, a juíza grita: "Cortem a cabeça".
Alice protesta: " Mas, e o julgamento?"
A presidente do Júri, responde: " Primeiro a sentença e depois o julgamento".
Por Falar em saias, no final, de um atrapalhado processo de expulsão e revogação, que bem poderia inspirar um filme do Renato Aragão; os dirigentes da Uniban vestiram SAIAS JUSTAS, nem curta nem longa (para não dar problemas), sendo este até agora o último ato dessa verdadeira comédia educacional. Parece que nesse vestibular, os dirigentes e a própria universidade foram reprovados. Santa ignorância.

Leia Mais…

sábado, novembro 07, 2009

UM MUNDO ESTRANHO

Descobri que o mundo é mesmo estranho.

As pessoas não se entendem;

não se gostam;

não se aceitam; nem gostam das outras;

não aceitam as outras, nem entendem as

outras;

nem são entendidas, nem aceitas;

nem aceitam serem aceitas.

É esse é mesmo um mundo estranho!!

Leia Mais…