terça-feira, novembro 15, 2011

O PREÇO DE UM HOMEM

Texto: 12:9-12
E, partindo dali, chegou à sinagoga deles. E, estava ali um homem que tinha uma das mãos mirrada; e eles, para o acusarem, o interrogaram, dizendo: É lícito curar nos sábados? E ele lhes disse: Qual dentre vós será o homem que tendo uma ovelha, se num sábado ela cair numa cova, não lançará mão dela, e a levantará? Pois, quanto mais vale um homem do que uma ovelha? É, por conseqüência, lícito fazer bem nos sábados.


INTRODUÇÃO: Se fosse possível vender um homem, quanto ele valeria? Qual o preço justo? Esse valor certamente mudaria de acordo com certas variantes que cada um pudesse apresentar. Um negro ou um branco, um pobre ou um rico, um menino, um jovem um adulto ou um velho. Altura, peso, força, inteligência, etc.

E se comparássemos um homem com uma ovelha, qual dos dois valeria mais?

ICT. No texto de Mateus 12, ao ser questionado acerca da cura de um homem, Jesus reage questionando acerca do valor de um homem diante de uma ovelha?

TESE: Como discípulos de Jesus precisamos definir com clareza qual o valor que os homens possuem para nós.

PROPOSIÇÃO: Nesta noite eu quero desafiá-los a pensar sobre essa pergunta: quanto vale um homem?

FRASE DE TRANSIÇÃO. Podemos responder essa pergunta analisando pelo menos três possibilidades:

I- A PRIMEIRA POSSIBILIDADE É DE UM HOMEM E UMA OVELHA VALEREM A MESMA COISA.

1. Quando olhamos ambos do ponto de vista meramente biológico.

O homem visto como animal

2. O animal e o homem como criação de Deus

3. Uma leitura sócio-ecológica da criação

II- A SEGUNDA POSSIBILIDADE É DE UM HOMEM VALER MENOS QUE A OVELHA E ALGUNS VALEREM MENOS QUE OUTROS.

Quando olhamos o homem do ponto de vista do capital social.

As pessoas valem pelo que tem

Ricos valem mais que pobre, brancos mais que negros, etc.

Quando a vida perde o valor

As pessoas valem enquanto produto. Um jogador, um gari, um professor.

Tudo tem valor econômico (O animal vale pela propriedade)

As coisas valem mais que os homens

III- A TERCEIRA POSSIBILIDADE É DE UMA OVELHA VALER MENOS QUE UM HOMEM MAIS TODOS OS HOMENS VALEREM A MESMA COISA.

Quando olhamos as pessoas do ponto de vista das espécies

Uma ovelha não pode se igualar a um homem por ser de espécie diferente

A vida é uma só e todos tem o mesmo valor.

Todos os homens valem a mesma coisa diante de Deus, porque são todos irmãos

CONCLUSÃO

O preço das coisas variam de acordo com a importância que possui para nós.

Uma ovelha pode valer a mesma coisa que um homem.

Uma ovelha pode valer mais que um homem e os homens podem ter valores diferentes

Um homem pode valer mais que uma ovelha, mas todos os homens valerem a mesma coisa.

A forma como você olha para homens e coisas determinam o seu valor.

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quinta-feira, novembro 03, 2011

APRENDENDO A LIDAR COM PERDAS

Nos proximos dias estarei postando alguns esboços de mensagens que preguei. Qualquer um pode usar as idéias se servir ao proposito. Peço apenas que cite a fonte.

TEXTO BÁSICO: LUCAS 15: 4-6,8-9

PROPÓSITO BÁSICO: Pastoral

PROPÓSITO ESPECÍFICO: Levar os ouvintes a lidar com as perdas de forma pedagógica.

INTRODUÇÃO:

Qual foi a coisa mais importante que você já perdeu em sua vida?

Todos nós já perdemos algo. Pode ser alguma coisa de pequeno valor (como uma moeda) ou muito importante, com valor afetivo (como indicaria a ovelha)

A questão não é o que perdemos em sim como lidamos com essas perdas.

Diante de uma perda podemos adotar algumas atitudes:

Lamentar, chorar culpar os outros e sofrer o resto da vida. Ou

Encarar o problema de frente, tratar a questão com serenidade e aprender com ele.

ICT: O texto que lemos trata de perdas materiais: um homem perdeu uma ovelha e uma mulher que perdeu uma moeda.

TESE: Na vida nós podemos também sofrer perdas materiais, no entanto nossas maiores perdas pode não ser materiais e ter implicações bem maiores.

PROPOSIÇÃO: Podemos aprender a lidar com perdas entendendo pelo menos quatro lições que o texto nos ensina.

SENTENÇA DE TRANSIÇÃO: Quais são as lições que aprendemos aqui?

I- A PRIMEIRA LIÇÃO QUE APRENDEMOS É QUE AS PERDAS FAZEM PARTE DA VIDA

(Perder uma ovelha e uma moeda é algo comum a qualquer pessoa)

1. Perdas são inevitáveis

2- Não se pode ganhar sempre

3-Perdas acompanham a nossa existência morte, separações, etc.

II- A SEGUNDA LIÇÃO QUE O TEXTO NOS ENSINA É QUE ALGUMAS PERDAS NÃO SÃO APENAS INEVITÁVEIS, ELAS SÃO NECESSÁRIAS

1. A vida é feita de fases, e precisamos perder uma para ganhar a outra.

Infância, adolescência, juventude, velhice

2. Aprender a perder é um exercício para aprender a ganhar.

3. Algumas perdas são necessárias para recomeçar.

III- A TERCEIRA LIÇÃO QUE APRENDEMOS AQUI É QUE ALGUMAS PERDAS SÃO RECUPERÁVEIS E OUTRAS NÃO

(Nem sempre se encontra a moeda e a ovelha)

1. Algumas perdas são restituíveis

2. Nem sempre as perdas terminam em festa como no texto

3. Tem coisa que perdemos para sempre e precisamos aprender a conviver com elas

4. O perigo da Teologia da restituição (Deus vai devolver tudo que você perdeu)

5. O perigo da não aceitação (Não adianta sofrer a vida toda por perdas irrecuperáveis)

IV A QUARTA LIÇÃO QUE O TEXTO NOS MOSTRA É QUE NA VIDA ALGUMAS COISAS SÃO TÃO IMPORTANTES QUE NÃO SE PODE PERDER.

1. Não se pode perder o Prazer de viver

2. Não podemos perder oportunidades

3. Não podemos perder a dignidade

4. Não podemos perder a fé

5. Não devemos perder a esperança.

CONCLUSÃO

Que fazer diante das perdas da vida?

1. Avalie o que você perdeu (que valor tem)

2. Aceite que perdas são inevitáveis

3. Admita que algumas perdas são necessárias

4. Cuidado para não perder o que você tem de mais valioso.

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quarta-feira, novembro 02, 2011

ENCONTRO COM MILTON SANTOS. O mundo global visto do lado de cá. Uma proposta libertária para estes dias tumultuados.

Esse texto foi produzido pela minha filha e pela importancia decidi compartilhar aqui.


Ficha Técnica

Gênero: Documentário, cor.
Ano: 2006
País: Brasil
Diretor: Sílvio Tendler
Duração: 89 minutos.


Milton Almeida dos Santos: (1996 – 2001

O documentário é introduzido com a seguinte frase: “É preciso explicar porque o mundo de hoje, que é horrível, é apenas um momento do longo desenvolvimento histórico e que a esperança sempre foi uma das forças dominantes das revoluções e das insurreições.” (Jean Paul Sartre, 1963, Prefácio de ‘Os Condenados da Terra’, de Frantz Fanon).

Em seguida, Milton Santos insere na discussão o conceito de Clarividência: a habilidade adquirida de “tentar ver, a partir do presente o que se projeta no futuro”.

Inicia-se a partir do conceito uma discussão que afirma que a visão do que acontece no mundo é diferente, a depender da localização do observador e sua experiência: “O mundo é o que se vê de onde se está”.

É exibido em seguida os primeiros processos de globalização e seus efeitos. A primeira data dos tempos do descobrimento dos novos continentes foi caracterizada pela ocupação territorial e domínio dos povos para o saque de suas riquezas, ignorando sua história e cultura. A segunda globalização começa no século XX, marcada pela fragmentação dos territórios. A revolução tecnológica promoveu a desorganização da sociedade. O humanismo é deixado de lado e o meio para o progresso passa a ser o consumo voraz, no centro das atenções das sociedades e dos Estados.

A partir desse ponto, a estrutura é dividida em sub-tópicos que constroem uma lógica que exibe as contradições e falhas na política da globalização:

Um pouco de Milton: um discurso em que ele diz considerar-se um intelectual outsider, fala sobre as dificuldades de ser intelectual e negro, os motivos de ter escolhido a geografia e seu interesse sobre as comunidades que mudam de lugar e pela história e considera-se um marxista por ser contra a não-discussão de disciplinas, que acabam por se tornar dogmas. Explica também que o mundo está chegando a um estado de saturação, o que torna possível a construção da sociedade mundial de outra forma.

Ignorando a prerrogativa de que o mundo é assim como nos é mostrado, pode-se considerar a existência de três mundos num só: O mundo como nos fazem ver (globalização como fábula), o mundo como ele é (globalização como perversidade) e o mundo como ele pode ser (uma outra globalização). Existem meios de garantir dignidade e igualdade a todos, mas o interesse privado apossou-se de tais meios e escolheu fazer um mundo perverso.

Consenso de Washington - a globalização como perversidade: uma reunião organizada em 1989 formulou propostas para os países retomarem o rumo do desenvolvimento com medidas como aumento de impostos e juros, mas a crise econômica foi única crise que essas medidas visaram evitar. As crises surgiram e se agravaram, e aconteceram rebeliões populares contra as medidas tomadas. As economias foram desestruturadas pelas importações, privatizações e pelo neoliberalismo. Os países que não atenderam ao Consenso experimentaram desenvolvimento crescente.

As grandes empresas não tem proximidade com os Estados e isso lhes permite agir de forma irresponsável do ponto de vista social e moral, desorganizando os territórios onde se instalam. A mão-de-obra é explorada na divisão internacional do trabalho: mais riqueza distribuída aos pobres e mais lucro para os ricos. O desemprego e a pobreza só aumentam, o salário médio tende a baixar, a classe média perde qualidade de vida: “os de baixo, a cada dia mais, trabalham mais com menos direitos”. O desemprego é visto como algo normal e a fome já não surpreende. Além da fome, as empresas planejam privatizar a água e matar os mais pobres também de sede.

Muralhas do capitalismo: enquanto a globalização permite o livre tráfego de mercadorias, comércio e serviços, proíbe o tráfego de pessoas. Os influenciados negativamente pelos efeitos negativos do capitalismo são impedidos de migrar para países onde supostamente as condições seriam melhores. As armas e o controle são avançados para evitar que a imigração ilegal ocorra nas fronteiras entre os países, custando inclusive a vida de quem tenta uma chance.

A fábula da globalização: O homem deixou de ser o centro das atenções, e este passou a ser o dinheiro em seu estado puro, proposta pelos economistas e imposta pela mídia. Davos se torna o símbolo do capitalismo como trilha para o paraíso. Surge o homo-davos, que propõe a criação de fundos para amenizar a pobreza. As notícias são interpretação dos fatos, e são expostos do ponto de vista dos interesses das empresas que controlam a mídia.

A revanche: Outros autores mostram na mídia, com menor alcance, mostrando o cenário a partir da visão a favor do povo, através do cinema, fora ou dentro dos movimentos populares, mostrando a outra face dessa globalização.

A técnica como plataforma para a liberdade: hoje é possível ser universal sem sair de onde se está, e entender como o mundo funciona se houver uma curiosidade um pouco mais aguçada. A rede representa a conquista da liberdade intelectual do indivíduo e a libertação da alienação por parte dos povos mais isolados que tem acesso à informação e podem produzi-la e publicá-la sem passar por intermediários. Pela primeira vez podemos conviver com o futuro possível.

A revanche da periferia: Hoje, com meios limitados, também se faz uma opinião. A aura de “cultura” é dada às atividades desenvolvidas por parcelas já privilegiadas da população. O que é feito pela periferia não é considerado, mas é, também, cultura, por expressar as opiniões daquele grupo. Há uma possibilidade uma revanche da cultura popular, pondo em relevo a vida dos pobres por meio da exaltação do dia-a-dia.

O período popular da história: o período tecnológico está terminando. A mudança na sociedade virá de baixo – das camadas populares, dos países mais pobres, não de maneira uniforme e ordenada, mas em explosões com bastante força e energia, impossíveis de conter. E eles construirão esse novo mundo.

África e América Latina - Os Gigantes despertando: os problemas dos países desenvolvidos foram causados pelos europeus, que agiram dentro do mundo subdesenvolvido como criminosos, influenciando nas relações entre as tribos e grupos, roubando as riquezas e trazendo pobreza, exploração e sofrimento. Seremos caricaturas tristes dos países do norte, vivendo segundo o modelo imposto? Vivemos sendo convencidos que a habilidade de imitar é a maior virtude que há, exemplificados nos símbolos representados pelo papagaio e pelo macaco. Não aprendemos a pensar a realidade por nós mesmos porque preferimos pensar como europeus, resultando alucinados e tolos.

Por uma outra ética: Há uma ética dos poderosos, uma ética dos que não tem nada e uma para aqueles que, desesperados, tomam o caminho da violência. A ética dos que querem mudanças é suprimida pela ética dos poderosos. Há, em grupos como os sem-terra, uma organização e uma solidariedade que não são divulgadas pela mídia, e que podem ser o modelo de uma revolução que virá a acontecer em breve.

Polifonia política: As formas tradicionais de cidadania, sem direito a trabalho e à moradia (que, quando existe fica longe dos centros), não agradam mais às camadas mais populares da sociedade, e as manifestações são o recurso que muitos usam para se fazer ouvir. Há modificações que só podem ser realizadas pelo Estado, porque é o único que tem o poder de cuidar de todos. As outras instituições são limitadas e, quando tentam fazer o papel que deveria ser do estado, acabam por privilegiar um grupo sobre outros. O Estado se torna cada vez mais indispensável, porque as diferenças são mais fortes que antigamente, e mais difíceis de solucionar.

A democracia, como organização, foi esvaziada de sentido e se tornou limitadora, reduzindo o poder do povo a tirar um grupo que não lhe agrade do poder e substituí-lo por outro, que talvez chegue a gostar, e a representatividade perdeu sua força, sendo todas as demais decisões são tomadas em outra esfera, por instituições de base não-democrática, cujos representantes não foram escolhidos pelas bases populares.

Por uma outra globalização: Criticamos as formas de totalitarismo registradas pela história e caímos noutro, onde o comportamento, as ações, devem ser todas iguais, seguindo o mesmo modelo e todo escape é punido, comprometendo o exercício da cidadania. O mundo suprime a verdadeira liberdade. É a carência de liberdade a marca do nosso tempo, que mais cedo ou mais tarde se tornará insuportável.

Como geógrafo e intelectual, o professor criou uma teoria otimista, na qual o sistema que se instalará beneficiará a maior parte da sociedade, e que em sua opinião é realmente possível acontecer: “...estamos fazendo os ensaios do que será a humanidade. Nunca houve”.(Milton Santos)

Milton Santos, em seu relato, em conjunto com as imagens e discursos colocados no documentário, tenta nos fazer acreditar que é possível construir uma lógica de igualdade e democracia, no sentido original da palavra, no futuro, e que estamos caminhando em direção a ela. Uma visão utópica percebida, por exemplo, quando afirma que o período tecnológico acabará, quando a velocidade com que a tecnologia se renova em 2011, em comparação com o período de 2001 a 2006, quando o documentário foi produzido, é muito maior, e tende a crescer. A alienação provinda da dependência das notícias, das informações, a “onipresença” criada pela rede da internet teve impactos maiores que provavelmente Milton Santos previu quando formulou sua teoria, e com o passar do tempo se torna mais difícil e não mais fácil, quebrar essa regra.

link do documentário no youtube: http://youtu.be/-UUB5DW_mnM

Myllena Karla Santos Azevedo

6º Período de Arquitetura – UFAL

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quarta-feira, julho 20, 2011

RELIGIÃO E ESPIRITUALIDADE: DIÁLOGOS COM PAULO NASCIMENTO (PARTE 2)

Estamos publicando a segunda parte dos diálogos travados com Paulo Nascimento acerca de religião e espirtualidade.

N.A - Se não é possível fazer distinção entre religião e espiritualidade, como podemos entender as muitas abordagens existentes que discutem os males da religião? Estes mesmos questionamentos servem para a espiritualidade?

P.N - Primeiro, é possível sim fazer essa distinção. Eu havia dito na discussão anterior que acho a distinção frágil, e devedora à maneira como Karl Barth trabalhava com esses conceitos. Foi depois dele que essa distinção virou moda na Teologia. Mas o fato de eu não trabalhar com essa distinção não a invalida. Afinal, se por um lado eu não absolutizo as formas alheias de se pensar nessas questões, muito menos absolutizo a minha própria forma de pensar. Acho que devemos entender qualquer abordagem, a qualquer fenômeno, criticamente. Óbvio que toda análise está condicionada ideológica e aprioristicamente, inclusive a nossa. Não há como fugir disso. E meu apriori, nesse sentido, é que a religião é tão ambígua quanto qualquer produção da cultura humana. Também penso que a relação entre religião e espiritualidade é mais de um continuun que de ruptura. Por isso não gosto desse fosso radical entre uma e outra.

N.A - Rubem Alves fala de “Religião” e “sentimento religioso”, atribuindo aos dois conceitos valores distintos, de forma que religião se aproxima da idéia de institucionalização da fé e sentimento religioso daquilo que normalmente se chama de espiritualidade. Procede?

P.N - A depender de nossos pressupostos, tudo na vida procede! Lembra de Schleirmacher? Ele também falava em um "sentimento de dependência absoluta". Kierkegaard falava do tal "sentimento oceânico". E Tillich falava de "preocupação última". Todos, com diferentes palavras, estão falando da mesma coisa. Mas outra vez, insisto em não querer separar isso do que chamamos de "religião", mesmo em suas formas institucionais. Acho que a questão não está na proximidade ou na forma institucional. Para mim o problema é de outra ordem. É óbvio que a instituição tende a petrificar o carisma, tende a impor relações de poder que acabam domesticando a experiência com o sagrado. Mas eu fico me perguntando se a experiência espiritual (dentro ou fora da instituição) pode ser traduzida em outros símbolos que não sejam religiosos. Fico me perguntando se ela pode ser traduzida numa linguagem que não seja mesmo mítica, simbólica, sagrada, religiosa. Se quisermos usar a palavra "religião" como sinônimo de "instituição religiosa", aí de fato não dá pra dizer que isso é a mesma coisa que "sentimentos religiosos". Mas acho que a palavra "religião" deve ser pensada com um alcance maior que as instituições. Ela antecede às instituições, ela extrapola as instituições, e confundi-las é um erro.

N.A - Se religião e espiritualidade não podem ser pensadas separadamente, podemos dizer então ser religioso é também ser espiritual. Como entender então a proposta de Bonhoeffer de um cristianismo não religioso?

P.N - Não podemos esquecer que esse conceito de Bonhoeffer ficou inacabado, como um esboço apenas. Ele não teve como desenvolver as implicações dessa proposta. Do que ele indicou, me parece que o "cristianismo arreligioso" está mais para uma espécie de humanismo radical que outra coisa. Chega a me lembrar o existencialismo de Sartre, uma vez que Bonhoeffer propõe que toda referência a Deus e às coisas da religião sejam esquecidas. "O homem deve viver sua vida como se Deus não existisse", diz ele. Como alguém já disse, é uma forma de "ateísmo cristão". Tem lógica? Não sei! Precisaríamos aprofundar mais isso. Suspeito que o contexto de completa desilusão com o protestantismo alemão deva ser levado em consideração na análise da produção de sua proposta. Como entendo a espiritualidade em referência ao que a Bíblia chama de vida no Espírito (e outras tradições chamam de outros nomes), não consigo igualar a proposta de Bonhoeffer a uma proposta de espiritualidade, embora ela seja mesmo tentadora.

N.A - Muita gente profundamente religiosa manifesta atitudes contrárias a uma espiritualidade sadia. Essa distinção procede? Como podemos classificar essas duas vertentes da relação com o sagrado?

P.N - As pessoas manifestam comportamentos ambivalentes nos diversos campos da cultura humana. O da religião é só mais um. Conforme a psicanálise freudiana, a ambivalência é nossa condição inescapável, de tal maneira que não há "espiritualidade sadia" que nos livre dela. Agora, a idéia de uma "espiritualidade sadia" não depende de um mundo de coisas? O que é sadio aqui, não é ali, e vice-versa. Então, uma espiritualidade só poderia ser "sadia" dentro dos limites simbólicos de dada cultura onde as noções de "sadio" e "doentio" estão mais ou menos convencionadas. Georges Canguilhem (orientador de Michel Foucault) tem um livro clássico, chamado O normal e o patológico, onde essas coisas são trabalhadas magistralmente. Por que não haveria uma "religiosidade sadia"? Dizer que não, não seria dizer que a religião é intrinsecamente má? Não retornaríamos assim ao início dessa discussão? E uma espiritualidade doentia seria possível? Por que não?

P.N - Vamos pensar um pouco a relação religião e espiritualidade mais a partir de algumas práticas. Nossa tentação é avaliá-la apenas teoricamente. Vamos tentar analisar algumas práticas. Talvez você diga assim: "mas justo as práticas mostram como a religiosidade é nociva, alienante, castradora, preconceituosa, etc". A questão simples é: todas elas? O que me faz resistir à dicotomia radical entre esses dois termos é a prática de algumas pessoas, dentro das instituições religiosas. Francisco de Assis, Albert Schweitzer, Gandhi, Madre Tereza, Martin Luther King, Dom Helder, foram religiosos ou espirituais? Minha resposta é: as duas coisas. Todas essas pessoas foram o que foram dentro de suas instituições. Eles estavam em total descontinuidade com suas instituições? Sim e não. Sim, pois se relacionavam com elas criticamente, nunca absolutizando-as nem transformando-as em um fim em si mesmas. Não, porque toda sua prática estava organicamente ligada às tradições religiosas a que pertenciam. Acho que esses exemplos facilitam compreendermos aquela idéia de continuun entre religião e espiritualidade. Quando se transforma a instituição religiosa em um fim em si mesmo, como muitas pessoas fazem (a maioria líderes), aí o que temos é mais uma forma de idolatria. Mas eu não chamaria isso de religiosidade, mas talvez de institucionalismo religioso.

N.A - Acho que suas ponderações são absolutamente pertinentes e acrescenta tempero ao debate, mas vamos a alguns desdobramentos:

Consideremos que essas pessoas citadas agregaram em suas práticas religião e espiritualidade e poderiamos acrescentar muitas outras pessoas que fizeram e fazem a mesma coisa. No entanto, resisto a idéia de um continuun necessário por perceber que em sua grande maioria se verifica descontinuidade entre as duas coisas, ou seja: acredito que alguém possa ter condutas ou praticas espirituais sem ser religioso, o que abriria a possibilidade de alguem ser religioso sem práticas espirituais, ou ainda de alguém ser mais religioso que espiritual (ênfase na religião) ou mesmo dessa pessoa ser mais espiritual que religioso (ênfase na espiritualidade). Concordo, no entanto que essas coisas não são estanques, elas são subprodutos uma das outras e interagem entre si, de forma que a religiosidade tende a produzir valores espirituais e a espiritualidade conduz a práticas religiosas (não necessariamente mas possivelmente) Por outro lado eu particularmente não ligo religiosidade a institucionalismo mas aos elementos exteriores tais como ritos, simbolos, cultos, doutinas, etc. Indispensaveis à religião mas não ao desenvolvimento da espiritualidade.


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segunda-feira, julho 04, 2011

RELIGIÃO E ESPIRITUALIDADE: DIÁLOGOS COM PAULO NASCIMENTO

“Deus é como um pássaro encantado que nunca se vê. Só se ouve o seu canto...”

“Religião é casca de cigarra vazia no tronco da árvore e sentimento religioso é a cigarra em movimento” (Rubem Alves)

Em “Imagine... Que Não Há Religiões” texto que escrevi recentemente, teci algumas considerações acerca de possíveis diferenças entre religião e espiritualidade e a partir dele travei um rápido diálogo com Paulo Nascimento, que, na minha opinião nos ajuda a aparar algumas arestas e ampliar o horizonte a ser pensado. Assim, decidi alinhar algumas idéias nesse texto, visando aperfeiçoar alguns conceitos ventilados no texto. Para identificar as falas, usaremos as inicias PN para Paulo Nascimento e NA para Neilton Azevedo

PN - Um mundo sem religiões seria mesmo tão melhor assim que um mundo com religiões?

NA- Ha uma teoria muito difundida por Dermeval Saviani[1] (que você bem conhece) chamada de "Teoria da Curvatura da Vara" que serve bem para o assunto em comento. Como disse no texto, "não sei se um mundo sem religiões seria melhor" ou pior, jamais tivemos a possibilidade de viver essa experiência. Mesmo os países onde ele não é tão presente de forma institucionalizada, convivem com uma religiosidade de bastidor.

PN- Em que medida a divisão entre religiosidade e espiritualidade se sustenta? Quem tem tamanha moral para estabelecer os parâmetros para tal dicotomia? Dizer-se "espiritual" e tipificar o outro como "religioso" não seria uma forma de estabelecer relações de poder? Não seria repetir a mesma arrogância com que a religião tipifica entre puros e impuros? Em que medida essa dicotomia não passa de uma réplica cinzenta da neo-ortodoxia de Barth? Tillich dizia que é impossível falar de Deus em outros termos que não fossem míticos e religiosos. Procede?

NA- Penso que o sustentáculo para manter uma divisão entre espiritualidade e religiosidade padece dos mesmos vícios que qualquer outra cisão de conceitos. Toda vez que nos propomos a fazer distinção entre elementos tão próximos estamos pisando em terreno minado e podemos cometer equívocos. Não sei também se alguém possui moral para garantir os parâmetros dessa dicotomia, mas quem possui para definir qualquer outra? No entanto, acredito que se ela não é um fato inconteste, pelo menos é uma realidade possível. Concordo plenamente que alguém se arvorar a se auto-intitular como “espiritual” e taxar o outro como “religioso”, é fazer um julgamento igual ou pior ainda que aquele que se afirma como “santo” e rotula o outro como “pecador” ou ainda; alguém se definir como “salvo” e classificar o outro como “perdido”; Estaríamos diante de uma reprodução sociológica das mesmas relações de poder e dominação que negamos.

Por outro lado, não vejo dificuldade para distinguir religião de espiritualidade (pelo menos na forma como vejo) Como diz Durkheim: religião tem a ver com sistemas e a sua manifestação é sempre coletiva, enquanto que espiritualidade tem caráter mais pessoal e interior. Essa idéia pode até ser mesmo uma "réplica cinzenta" ou até mais desbotada ainda de conceitos barthianos, mas o inverso também pode ser verdade; a crítica ao conceito pode ser também uma fotografia 3X4 de conceitos tillichianos o que em um caso ou noutro não diminui a sua importância. Mas não há o que fazer o mundo é conceitual e como diria Wittgeinstein, a linguagem cria a realidade, ou seja, nossa forma de ver e entender o mundo passa pela nossa verbalização.

Considerando que toda linguagem sobre Deus é analógica, ou seja, não diz respeito ao sujeito em si, uma vez que ele foge a qualquer possibilidade conceitual, a única forma de falar Dele passa pelo mito e se fundamenta no discurso religioso. No entanto, a espiritualidade não tem por corolário o falar sobre Deus, sobre anjos demônios ou sobre pecado, esse discurso é imprescindível à religião, mas não à espiritualidade, uma vez que esta não depende da elaboração de doutrinas.

PN - Confesso realmente que entre as perspectivas de Barth e Tillich, estou muito mais identificado com o segundo. Em Barth a religião é a expressão da criatura humana perdida em seus pecados. Em Tillich, ao contrário, a religião é a abertura do ser humano à possibilidade de processos revelatórios. - Eu já cultivei muito essa divisão entre religião e espiritualidade. Hoje eu acho que ela é frágil. Eu entendo que quando se fala em religiosidade, se fala de algo mais próximo das instituições. E quando se fala em espiritualidade, se fala de algo mais desapegado das mesmas. No entanto, se olharmos para o conteúdo disso que estamos chamando de "espiritualidade", veremos inevitavelmente o DNA da religião. A não ser que encaremos "espiritualidade" como sinônimo de "humanismo". Não acho isso coerente. Na espiritualidade, quer se creia em deuses ou não, está presente o elemento da transcendência, do mistério, do sentido último da vida, que ultrapassa o ser humano em sua condição de ser histórico. Sei que há humanismos belíssimos na história, e celebro todos eles. Mas penso que espiritualidade é outra coisa. Muito particularmente, creio ainda que a espiritualidade se caracteriza pela comunhão com Deus. Nós, cristãos, chamamos isso de vida no Espírito. Outras tradições dão outros nomes à mesma experiência.

NA - Como disse no texto, uso a palavra espiritualidade partindo da dimensão do espírito humano dos valores que torna o homem "mais humano" e nesse sentido que também vejo a humanidade/espiritualidade de Jesus. Sei que essa não é a única forma de ver e entender o termo. Espiritualidade é um conceito multívoco e possui seus corolários na religião; da mesma forma que religião/religiosidade pode também ter múltiplas compreensões.

PN- Viver a espiritualidade distante dos ambientes institucionais, como fez Jesus, é o mesmo que descartar a visão religiosa do mundo? Em que medida a espiritualidade de Jesus também dialogava com a visão religiosa do mundo?

NA- Penso que Jesus não teve dificuldade em dialogar com a religião de seu tempo, como também dialogou com a cultura, mas não se deixou dominar por ela, não se tornou um “religioso”, suas ações e seus ensinos eram também não se voltavam para o transcendente, já que “as parábolas são narrativas radicalmente profanas. Não há deuses, nem demônios, nem anjos nem milagres, nem tempo antes do tempo, como nas narrativas da criação, nem mesmo acontecimentos fundadores como na narrativa do êxodo”[2] Além disso, talvez a ferocidade não seja a única face da religião que destoa da realidade, a disposição ao controle da liberdade e a tendência a ver o homem numa visão infantil talvez mereça destaque também.

PN - Freud, Feuerbach e Marx vislumbraram um mundo sem religiões no séc. XIX, em que a harmonia humana vigoraria. Nosso Ocidente secularizado cumpriu tais profecias? Vivemos um mundo de paz e equilíbrio?

NA – Apesar de terem pensado um mundo sem religiões, eles não viveram a experiência de um mundo sem religião. A secularização do mundo apenas transmudou a face da religião, que assumiu novos papéis e novas configurações. Dietrich Bonhoeffer ousou pensar em um “cristianismo não religioso”, o que será que ele tinha em mente, um cristianismo sem espiritualidade? Sem valores? Para ele, “Ser cristão não significa ser religioso de certa maneira, tornar-se alguém (um pecador, um penitente ou um santo) com base em alguma metodologia, mas significa ser pessoa; Cristo não cria em nós um tipo de ser humano, mas o próprio ser humano.” (Resistência e Submissão: 16.7.1945) Não se pode ser ingênuo a ponto de acreditar que a religião seja a púnica responsável pelas mazelas do mundo, nem mesmo que a paz possa ser conquistada pela supressão de qualquer instituição. Mesmo a utopia de uma sociedade sem a ditadura do capital vislumbrada por Marx sofre da mesma lateralidade, ou seja: apenas a supressão do homem da terra talvez pudesse estabelecer o equilíbrio para uma convivência não harmônica mais sustentável.

PN - Se um mundo com religiões é tão feio assim, que dizer do mundo onde vigoram a ciência e o capital? É mais bonito?

NA – Considero o corte feito aqui, profundamente oportuno. Os avanços da ciência e do capitalismo não redundam em benefício para os mais pobres da sociedade; possivelmente a mesma crítica se faz à face doentia do sistema religioso possa ser aplicada também ao capital e à ciência. Certamente que a religião assim como a ciência e o capital são (ou não) subprodutos da sociedade e reproduzem em suas manifestações todo o individualismo e a violência que impera nas relações sociais.

PN - Num mundo sem religiões, o que fazer quando aparecerem novos Bonhoeffers, Luther Kings, Gandhis, Schweitzers, Doroty Stangs, Madres Terezas, Dom Helders, com seus valores todos calcados em suas religiões? Vamos anatemizá-los? Se a religião é intrinsecamente ruim, que fazer a religião esquisita destes aí? O problema é mesmo da religião em si? Ela seria mesmo intrinsecamente má? Ou o buraco seria um pouco mais embaixo? Pense na ciência. Ela é intrinsecamente boa ou má? Nenhuma das duas. Bom ou mau é o uso que se faz da ciência. Você sabe que Einstein foi às lágrimas quando soube que a técnica de fissura dos átomos, desenvolvida teoricamente por ele, foi mais tarde usada para fabricar a bomba atômica. Culpa de Einstein? Óbvio que não! Da mesma forma a religião. O uso que se faz dela é que é uma desgraça. Por isso, meu mano, minha ênfase tem sido colocada em despertar a potencialidade positiva da religião. Claro que o outro lado desse trabalho é criticar a face destruidora da religião. Mas como ênfase, fico com a dimensão libertadora, fraterna, humana, divina, que há na religião. Resumindo: tenho sempre diante de mim a ambiguidade que envolve o fenômeno religioso, mas optei por enfatizar sua dimensão positiva. Não resta dúvida de que historicamente a religião tem sido vetor de tudo quanto é tipo de desgraça. Mas eu resisto a confiná-la a isso. Inclusive, o tal de Ópio Coisa Nenhuma foi cunhado com isso em mente. Não creio que a religião, enquanto fenômeno social e histórico seja intrinsecamente má. Os nomes que citei, por exemplo, são nomes de pessoas que viveram a vida toda dentro do ambiente das instituições. Pode conferir um por um.

NA - Dizer se as personalidades citadas acima realizaram suas ações movidas por valores espirituais ou religiosos, é algo que não posso precisar aqui, mas desconfio que suas motivações embora emanem de dentro de sistemas religiosos, se aproximam em muito da compreensão que Jesus tinha das relações humanas, de olhar para além das instituições para perceber o indivíduo.

- Estou consciente também, que nada no mundo é em si mesma boa ou má. Já disse isso várias vezes inclusive em minhas loucas aulas de teologia. O pecado não está na coisa e sim na forma como se lida com ela. Orar pode ser uma bênção ou uma maldição, a depender das intenções e motivações (que se veja a parábola do fariseu), comer demais pode ser pecaminoso beber demais, etc. Dessa forma, o mal talvez esteja nos extremos, que tanto pode ser a glutonaria ou o jejum rigoroso. - O texto discute a religião em sua face mais dogmática, fundamentalista, fanática e neurotizante. Na prática o texto visa provocar uma discussão acerca da religião que se tem disseminado, especialmente a vertente do cristianismo. Não tive a pretensão de negar o valor de uma religiosidade sadia e voltada para a prática do bem.

PN - Se os fundamentalismos têm uma face feroz e destruidora da vida, seria assim com todas as religiões? Que dizer daquelas que não exigem militância e nem evocam deuses e demônios? E que dizer das religiões ágrafas, que não exigem adesão nem fazem proselitismo?

NA- Concordo plenamente que ao discutir religião precisamos ter em mente que lidamos com um universo bastante extenso. Mesmo as religiões que comumente poderíamos enquadrar como deletéria apresenta suas exceções; nem todo mundo queimou bruxas, nem todos praticaram a inquisição, nem todo cruzado era cruel, nem todo fundamentalista é odioso, e assim por diante. Da mesma forma, há religiões que vivenciam o pacifismo em suas práticas, que não fazem proselitismo e não condena ninguém ao inferno pelo fato de não seguir seus preceitos.

PN - Se a supressão da religião é condição para um novo mundo, por que os socialismos históricos que empreenderem essa supressão foram sistemas tão tirânicos?

NA – Estou convencido de que a extinção da religião não criaria um paraíso na terra, as mazelas do mundo têm outras fontes iguais ou ainda mais cruéis que a religião. Os socialismos históricos reproduziram em seus sistemas com roupagem diferente, os mesmos dogmas e doutrinas que fizeram da religião instrumento de opressão e dominação. Ou seja, os socialismos foram religiões seculares, com seus deuses templos e cultos.

PN - Nos países "desenvolvidos", onde a religião decresce a cada dia, as taxas de homicídio estão lá em baixo. Mas por que as taxas de suicídio são as mais elevadas do mundo? Por que será?

NA - Quanto às taxas de suicídio ser alta em países onde a religião decresce, não é possível estabelecer aqui sem maiores elementos, que relação existe ou deixa de existir com a ausência da religião, existem diversas variantes que precisariam ser consideradas para que se pudesse considerar se existe ou não influencia da redução da influência da religião na vida das pessoas que praticam suicídio nesses países.



[1] Saviani se apropria da “Teoria da Curvatura da Vara” de Lênin e aplica ao processo de tentativa de ajustes da educação da seguinte forma: “quando a vara está torta, ela fica curva de um lado e se você quiser endireitá-la, não basta colocá-la na posição correta. É preciso curvá-la para o lado oposto” Saviani, Dermeval. Escola e democracia. 32. ed. Campinas, SP: Autores Associados, 1999 p.48-49).

[2] Paul Ricouer. Citado por Paulo Nascimento in: O arraiá da IBP e o Reino de Deus. Disponível em: http://opiocoisanenhuma.blogspot.com/

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