quinta-feira, novembro 17, 2011

UMA IGREJA PARA ENTRAR E FICAR

Mateus 17:1-4

SEIS dias depois, tomou Jesus consigo a Pedro, e a Tiago, e a João, seu irmão, e os conduziu em particular a um alto monte,

E transfigurou-se diante deles; e o seu rosto resplandeceu como o sol, e as suas vestes se tornaram brancas como a luz.

E eis que lhes apareceram Moisés e Elias, falando com ele.

E Pedro, tomando a palavra, disse a Jesus: Senhor, bom é estarmos aqui; se queres, façamos aqui três tabernáculos, um para ti, um para Moisés, e um para Elias.

Introdução

Se você tivesse que pensar em lugar onde gostaria de estar agora, que lugar você escolheria?

Alguns certamente pensaram em uma praia, outros em uma fazenda. Alguem pensaria na igreja?

Por que será que as pessoas muitas vezes não gostam de igrejas? Muitos entram e depois saem?

No texto lemos que depois de uma experiência que os discípulos viveram, eles quiseram ficar ali no monte. Eles disseram, bom é estarmos aqui.

A igreja precisa se tornar um lugar onde as pessoas desejem permanecer.

Eu tenho pensado na possibilidade da igreja se tornar um lugar atrativo, dela se tornar um lugar acolhedor.

Gostaria de desafiar a igreja a se tornar um lugar tão especial no qual as pessoas desejem ficar.

Quais são as características de uma igreja onde as pessoas querem ficar?

I- NUMA IGREJA ONDE ONDE AS PESSOAS DESEJAM FICAR, AS RELAÇÕES SÃO MARCADAS PELA AFETIVIDADE E NÃO PELA COMPETIÇÃO

Jesus não levou todos os doze, havia uma competição entre eles.

marcos 9: 33-34, revela essa disputa existentes entre eles.

Se estivessem todos alí, as diferenças apareceriam.

Jesus levou com ele apenas pedro tiago e João, e por que?

Eles sempre estavam juntos em todos os momentos especiais.

Eles se entendiam, havia harmonia entre eles.

Jesus sabia disso. ele queria naquele momento apenas pessoas capazes de estar junto sem conflito

II- NUMA IGREJA ONDE AS PESSOAS DESEJAM PERMANCER NÃO POSSUEM ESTRELAS.

(o rosto que brilhava mais do que os outros era o de Jesus)

-Não foi o rosto de pedro, nem de tiago nem de joão. Se fosse o de um deles.

estaria estabelecida

- A superioridade.

- A importância

- Competiçao pelo mais santo, mais puro, quem canta melhor, toca melhor.

- Igrejas com pessoas especiais, com donos, e herois, afastam os que chegam e dificultam a convivência.

É preciso cultivar um lugar sem estrelas. onde o talento e a cultura não crie distinções.

III- UMA IGREJA ONDE AS PESSOAS DESEJAM ESTAR, CONSEGUE HARMONIZAR AS GERAÇÕES DO PASSADO E DO PRESENTE SEM CRISE.

(Moisés, Elias e Jesus são gerações diferentes).

- Tempos diferentes.

- Teologias diferentes.

- Comportamentos diferentes.

- Eles conversavam, dialogavam,

- Estavam juntos sem crise

- Sem julgamentos.

- Muita gente sai da igreja (especialmente os jovens) por causa de conflitos de gerações

- É preciso estabelecer relações respeitosas entre gerações.

IV- NUMA IGREJA ONDE AS PESSOAS DESEJAM FICAR, O BEM COLETIVO VEM ANTES DOS INTERESSES PESSOAIS.

- Pedro não pensou em fazer uma cabana para ele

- Nem exigiu que se fizesse uma cabana para ele

- As cabanas a serem construídas não seriam para Pedro , Tiago ou João.

- Eram: Uma para Jesus, outra para Moisés e a terceira para Elias eles pensaram nos outros

- As vezes a igreja se torna um salve-se quem puder

- Um lugar de indiferenças, de grupos e facções.

Conclusão.

Eu sonho com uma igreja onde se possa dizer:

Bom é estarmos aqui.

Quais são então os elementos necessários a essa igreja.

1. É preciso construir relações marcadas pela afetividade e não pela competição

2. É preciso que não existam estrelas, mais santos mais puros.

3. Que seja capaz de harmonizar as gerações do passado e do presente sem crise.

4. Precisa colocar o bem coletivo antes dos interesses pessoais.

Numa igreja assim as pessoas vão querer entrar e mais ainda, vai querer ficar.

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terça-feira, novembro 15, 2011

O PREÇO DE UM HOMEM

Texto: 12:9-12
E, partindo dali, chegou à sinagoga deles. E, estava ali um homem que tinha uma das mãos mirrada; e eles, para o acusarem, o interrogaram, dizendo: É lícito curar nos sábados? E ele lhes disse: Qual dentre vós será o homem que tendo uma ovelha, se num sábado ela cair numa cova, não lançará mão dela, e a levantará? Pois, quanto mais vale um homem do que uma ovelha? É, por conseqüência, lícito fazer bem nos sábados.


INTRODUÇÃO: Se fosse possível vender um homem, quanto ele valeria? Qual o preço justo? Esse valor certamente mudaria de acordo com certas variantes que cada um pudesse apresentar. Um negro ou um branco, um pobre ou um rico, um menino, um jovem um adulto ou um velho. Altura, peso, força, inteligência, etc.

E se comparássemos um homem com uma ovelha, qual dos dois valeria mais?

ICT. No texto de Mateus 12, ao ser questionado acerca da cura de um homem, Jesus reage questionando acerca do valor de um homem diante de uma ovelha?

TESE: Como discípulos de Jesus precisamos definir com clareza qual o valor que os homens possuem para nós.

PROPOSIÇÃO: Nesta noite eu quero desafiá-los a pensar sobre essa pergunta: quanto vale um homem?

FRASE DE TRANSIÇÃO. Podemos responder essa pergunta analisando pelo menos três possibilidades:

I- A PRIMEIRA POSSIBILIDADE É DE UM HOMEM E UMA OVELHA VALEREM A MESMA COISA.

1. Quando olhamos ambos do ponto de vista meramente biológico.

O homem visto como animal

2. O animal e o homem como criação de Deus

3. Uma leitura sócio-ecológica da criação

II- A SEGUNDA POSSIBILIDADE É DE UM HOMEM VALER MENOS QUE A OVELHA E ALGUNS VALEREM MENOS QUE OUTROS.

Quando olhamos o homem do ponto de vista do capital social.

As pessoas valem pelo que tem

Ricos valem mais que pobre, brancos mais que negros, etc.

Quando a vida perde o valor

As pessoas valem enquanto produto. Um jogador, um gari, um professor.

Tudo tem valor econômico (O animal vale pela propriedade)

As coisas valem mais que os homens

III- A TERCEIRA POSSIBILIDADE É DE UMA OVELHA VALER MENOS QUE UM HOMEM MAIS TODOS OS HOMENS VALEREM A MESMA COISA.

Quando olhamos as pessoas do ponto de vista das espécies

Uma ovelha não pode se igualar a um homem por ser de espécie diferente

A vida é uma só e todos tem o mesmo valor.

Todos os homens valem a mesma coisa diante de Deus, porque são todos irmãos

CONCLUSÃO

O preço das coisas variam de acordo com a importância que possui para nós.

Uma ovelha pode valer a mesma coisa que um homem.

Uma ovelha pode valer mais que um homem e os homens podem ter valores diferentes

Um homem pode valer mais que uma ovelha, mas todos os homens valerem a mesma coisa.

A forma como você olha para homens e coisas determinam o seu valor.

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quinta-feira, novembro 03, 2011

APRENDENDO A LIDAR COM PERDAS

Nos proximos dias estarei postando alguns esboços de mensagens que preguei. Qualquer um pode usar as idéias se servir ao proposito. Peço apenas que cite a fonte.

TEXTO BÁSICO: LUCAS 15: 4-6,8-9

PROPÓSITO BÁSICO: Pastoral

PROPÓSITO ESPECÍFICO: Levar os ouvintes a lidar com as perdas de forma pedagógica.

INTRODUÇÃO:

Qual foi a coisa mais importante que você já perdeu em sua vida?

Todos nós já perdemos algo. Pode ser alguma coisa de pequeno valor (como uma moeda) ou muito importante, com valor afetivo (como indicaria a ovelha)

A questão não é o que perdemos em sim como lidamos com essas perdas.

Diante de uma perda podemos adotar algumas atitudes:

Lamentar, chorar culpar os outros e sofrer o resto da vida. Ou

Encarar o problema de frente, tratar a questão com serenidade e aprender com ele.

ICT: O texto que lemos trata de perdas materiais: um homem perdeu uma ovelha e uma mulher que perdeu uma moeda.

TESE: Na vida nós podemos também sofrer perdas materiais, no entanto nossas maiores perdas pode não ser materiais e ter implicações bem maiores.

PROPOSIÇÃO: Podemos aprender a lidar com perdas entendendo pelo menos quatro lições que o texto nos ensina.

SENTENÇA DE TRANSIÇÃO: Quais são as lições que aprendemos aqui?

I- A PRIMEIRA LIÇÃO QUE APRENDEMOS É QUE AS PERDAS FAZEM PARTE DA VIDA

(Perder uma ovelha e uma moeda é algo comum a qualquer pessoa)

1. Perdas são inevitáveis

2- Não se pode ganhar sempre

3-Perdas acompanham a nossa existência morte, separações, etc.

II- A SEGUNDA LIÇÃO QUE O TEXTO NOS ENSINA É QUE ALGUMAS PERDAS NÃO SÃO APENAS INEVITÁVEIS, ELAS SÃO NECESSÁRIAS

1. A vida é feita de fases, e precisamos perder uma para ganhar a outra.

Infância, adolescência, juventude, velhice

2. Aprender a perder é um exercício para aprender a ganhar.

3. Algumas perdas são necessárias para recomeçar.

III- A TERCEIRA LIÇÃO QUE APRENDEMOS AQUI É QUE ALGUMAS PERDAS SÃO RECUPERÁVEIS E OUTRAS NÃO

(Nem sempre se encontra a moeda e a ovelha)

1. Algumas perdas são restituíveis

2. Nem sempre as perdas terminam em festa como no texto

3. Tem coisa que perdemos para sempre e precisamos aprender a conviver com elas

4. O perigo da Teologia da restituição (Deus vai devolver tudo que você perdeu)

5. O perigo da não aceitação (Não adianta sofrer a vida toda por perdas irrecuperáveis)

IV A QUARTA LIÇÃO QUE O TEXTO NOS MOSTRA É QUE NA VIDA ALGUMAS COISAS SÃO TÃO IMPORTANTES QUE NÃO SE PODE PERDER.

1. Não se pode perder o Prazer de viver

2. Não podemos perder oportunidades

3. Não podemos perder a dignidade

4. Não podemos perder a fé

5. Não devemos perder a esperança.

CONCLUSÃO

Que fazer diante das perdas da vida?

1. Avalie o que você perdeu (que valor tem)

2. Aceite que perdas são inevitáveis

3. Admita que algumas perdas são necessárias

4. Cuidado para não perder o que você tem de mais valioso.

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quarta-feira, novembro 02, 2011

ENCONTRO COM MILTON SANTOS. O mundo global visto do lado de cá. Uma proposta libertária para estes dias tumultuados.

Esse texto foi produzido pela minha filha e pela importancia decidi compartilhar aqui.


Ficha Técnica

Gênero: Documentário, cor.
Ano: 2006
País: Brasil
Diretor: Sílvio Tendler
Duração: 89 minutos.


Milton Almeida dos Santos: (1996 – 2001

O documentário é introduzido com a seguinte frase: “É preciso explicar porque o mundo de hoje, que é horrível, é apenas um momento do longo desenvolvimento histórico e que a esperança sempre foi uma das forças dominantes das revoluções e das insurreições.” (Jean Paul Sartre, 1963, Prefácio de ‘Os Condenados da Terra’, de Frantz Fanon).

Em seguida, Milton Santos insere na discussão o conceito de Clarividência: a habilidade adquirida de “tentar ver, a partir do presente o que se projeta no futuro”.

Inicia-se a partir do conceito uma discussão que afirma que a visão do que acontece no mundo é diferente, a depender da localização do observador e sua experiência: “O mundo é o que se vê de onde se está”.

É exibido em seguida os primeiros processos de globalização e seus efeitos. A primeira data dos tempos do descobrimento dos novos continentes foi caracterizada pela ocupação territorial e domínio dos povos para o saque de suas riquezas, ignorando sua história e cultura. A segunda globalização começa no século XX, marcada pela fragmentação dos territórios. A revolução tecnológica promoveu a desorganização da sociedade. O humanismo é deixado de lado e o meio para o progresso passa a ser o consumo voraz, no centro das atenções das sociedades e dos Estados.

A partir desse ponto, a estrutura é dividida em sub-tópicos que constroem uma lógica que exibe as contradições e falhas na política da globalização:

Um pouco de Milton: um discurso em que ele diz considerar-se um intelectual outsider, fala sobre as dificuldades de ser intelectual e negro, os motivos de ter escolhido a geografia e seu interesse sobre as comunidades que mudam de lugar e pela história e considera-se um marxista por ser contra a não-discussão de disciplinas, que acabam por se tornar dogmas. Explica também que o mundo está chegando a um estado de saturação, o que torna possível a construção da sociedade mundial de outra forma.

Ignorando a prerrogativa de que o mundo é assim como nos é mostrado, pode-se considerar a existência de três mundos num só: O mundo como nos fazem ver (globalização como fábula), o mundo como ele é (globalização como perversidade) e o mundo como ele pode ser (uma outra globalização). Existem meios de garantir dignidade e igualdade a todos, mas o interesse privado apossou-se de tais meios e escolheu fazer um mundo perverso.

Consenso de Washington - a globalização como perversidade: uma reunião organizada em 1989 formulou propostas para os países retomarem o rumo do desenvolvimento com medidas como aumento de impostos e juros, mas a crise econômica foi única crise que essas medidas visaram evitar. As crises surgiram e se agravaram, e aconteceram rebeliões populares contra as medidas tomadas. As economias foram desestruturadas pelas importações, privatizações e pelo neoliberalismo. Os países que não atenderam ao Consenso experimentaram desenvolvimento crescente.

As grandes empresas não tem proximidade com os Estados e isso lhes permite agir de forma irresponsável do ponto de vista social e moral, desorganizando os territórios onde se instalam. A mão-de-obra é explorada na divisão internacional do trabalho: mais riqueza distribuída aos pobres e mais lucro para os ricos. O desemprego e a pobreza só aumentam, o salário médio tende a baixar, a classe média perde qualidade de vida: “os de baixo, a cada dia mais, trabalham mais com menos direitos”. O desemprego é visto como algo normal e a fome já não surpreende. Além da fome, as empresas planejam privatizar a água e matar os mais pobres também de sede.

Muralhas do capitalismo: enquanto a globalização permite o livre tráfego de mercadorias, comércio e serviços, proíbe o tráfego de pessoas. Os influenciados negativamente pelos efeitos negativos do capitalismo são impedidos de migrar para países onde supostamente as condições seriam melhores. As armas e o controle são avançados para evitar que a imigração ilegal ocorra nas fronteiras entre os países, custando inclusive a vida de quem tenta uma chance.

A fábula da globalização: O homem deixou de ser o centro das atenções, e este passou a ser o dinheiro em seu estado puro, proposta pelos economistas e imposta pela mídia. Davos se torna o símbolo do capitalismo como trilha para o paraíso. Surge o homo-davos, que propõe a criação de fundos para amenizar a pobreza. As notícias são interpretação dos fatos, e são expostos do ponto de vista dos interesses das empresas que controlam a mídia.

A revanche: Outros autores mostram na mídia, com menor alcance, mostrando o cenário a partir da visão a favor do povo, através do cinema, fora ou dentro dos movimentos populares, mostrando a outra face dessa globalização.

A técnica como plataforma para a liberdade: hoje é possível ser universal sem sair de onde se está, e entender como o mundo funciona se houver uma curiosidade um pouco mais aguçada. A rede representa a conquista da liberdade intelectual do indivíduo e a libertação da alienação por parte dos povos mais isolados que tem acesso à informação e podem produzi-la e publicá-la sem passar por intermediários. Pela primeira vez podemos conviver com o futuro possível.

A revanche da periferia: Hoje, com meios limitados, também se faz uma opinião. A aura de “cultura” é dada às atividades desenvolvidas por parcelas já privilegiadas da população. O que é feito pela periferia não é considerado, mas é, também, cultura, por expressar as opiniões daquele grupo. Há uma possibilidade uma revanche da cultura popular, pondo em relevo a vida dos pobres por meio da exaltação do dia-a-dia.

O período popular da história: o período tecnológico está terminando. A mudança na sociedade virá de baixo – das camadas populares, dos países mais pobres, não de maneira uniforme e ordenada, mas em explosões com bastante força e energia, impossíveis de conter. E eles construirão esse novo mundo.

África e América Latina - Os Gigantes despertando: os problemas dos países desenvolvidos foram causados pelos europeus, que agiram dentro do mundo subdesenvolvido como criminosos, influenciando nas relações entre as tribos e grupos, roubando as riquezas e trazendo pobreza, exploração e sofrimento. Seremos caricaturas tristes dos países do norte, vivendo segundo o modelo imposto? Vivemos sendo convencidos que a habilidade de imitar é a maior virtude que há, exemplificados nos símbolos representados pelo papagaio e pelo macaco. Não aprendemos a pensar a realidade por nós mesmos porque preferimos pensar como europeus, resultando alucinados e tolos.

Por uma outra ética: Há uma ética dos poderosos, uma ética dos que não tem nada e uma para aqueles que, desesperados, tomam o caminho da violência. A ética dos que querem mudanças é suprimida pela ética dos poderosos. Há, em grupos como os sem-terra, uma organização e uma solidariedade que não são divulgadas pela mídia, e que podem ser o modelo de uma revolução que virá a acontecer em breve.

Polifonia política: As formas tradicionais de cidadania, sem direito a trabalho e à moradia (que, quando existe fica longe dos centros), não agradam mais às camadas mais populares da sociedade, e as manifestações são o recurso que muitos usam para se fazer ouvir. Há modificações que só podem ser realizadas pelo Estado, porque é o único que tem o poder de cuidar de todos. As outras instituições são limitadas e, quando tentam fazer o papel que deveria ser do estado, acabam por privilegiar um grupo sobre outros. O Estado se torna cada vez mais indispensável, porque as diferenças são mais fortes que antigamente, e mais difíceis de solucionar.

A democracia, como organização, foi esvaziada de sentido e se tornou limitadora, reduzindo o poder do povo a tirar um grupo que não lhe agrade do poder e substituí-lo por outro, que talvez chegue a gostar, e a representatividade perdeu sua força, sendo todas as demais decisões são tomadas em outra esfera, por instituições de base não-democrática, cujos representantes não foram escolhidos pelas bases populares.

Por uma outra globalização: Criticamos as formas de totalitarismo registradas pela história e caímos noutro, onde o comportamento, as ações, devem ser todas iguais, seguindo o mesmo modelo e todo escape é punido, comprometendo o exercício da cidadania. O mundo suprime a verdadeira liberdade. É a carência de liberdade a marca do nosso tempo, que mais cedo ou mais tarde se tornará insuportável.

Como geógrafo e intelectual, o professor criou uma teoria otimista, na qual o sistema que se instalará beneficiará a maior parte da sociedade, e que em sua opinião é realmente possível acontecer: “...estamos fazendo os ensaios do que será a humanidade. Nunca houve”.(Milton Santos)

Milton Santos, em seu relato, em conjunto com as imagens e discursos colocados no documentário, tenta nos fazer acreditar que é possível construir uma lógica de igualdade e democracia, no sentido original da palavra, no futuro, e que estamos caminhando em direção a ela. Uma visão utópica percebida, por exemplo, quando afirma que o período tecnológico acabará, quando a velocidade com que a tecnologia se renova em 2011, em comparação com o período de 2001 a 2006, quando o documentário foi produzido, é muito maior, e tende a crescer. A alienação provinda da dependência das notícias, das informações, a “onipresença” criada pela rede da internet teve impactos maiores que provavelmente Milton Santos previu quando formulou sua teoria, e com o passar do tempo se torna mais difícil e não mais fácil, quebrar essa regra.

link do documentário no youtube: http://youtu.be/-UUB5DW_mnM

Myllena Karla Santos Azevedo

6º Período de Arquitetura – UFAL

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quarta-feira, julho 20, 2011

RELIGIÃO E ESPIRITUALIDADE: DIÁLOGOS COM PAULO NASCIMENTO (PARTE 2)

Estamos publicando a segunda parte dos diálogos travados com Paulo Nascimento acerca de religião e espirtualidade.

N.A - Se não é possível fazer distinção entre religião e espiritualidade, como podemos entender as muitas abordagens existentes que discutem os males da religião? Estes mesmos questionamentos servem para a espiritualidade?

P.N - Primeiro, é possível sim fazer essa distinção. Eu havia dito na discussão anterior que acho a distinção frágil, e devedora à maneira como Karl Barth trabalhava com esses conceitos. Foi depois dele que essa distinção virou moda na Teologia. Mas o fato de eu não trabalhar com essa distinção não a invalida. Afinal, se por um lado eu não absolutizo as formas alheias de se pensar nessas questões, muito menos absolutizo a minha própria forma de pensar. Acho que devemos entender qualquer abordagem, a qualquer fenômeno, criticamente. Óbvio que toda análise está condicionada ideológica e aprioristicamente, inclusive a nossa. Não há como fugir disso. E meu apriori, nesse sentido, é que a religião é tão ambígua quanto qualquer produção da cultura humana. Também penso que a relação entre religião e espiritualidade é mais de um continuun que de ruptura. Por isso não gosto desse fosso radical entre uma e outra.

N.A - Rubem Alves fala de “Religião” e “sentimento religioso”, atribuindo aos dois conceitos valores distintos, de forma que religião se aproxima da idéia de institucionalização da fé e sentimento religioso daquilo que normalmente se chama de espiritualidade. Procede?

P.N - A depender de nossos pressupostos, tudo na vida procede! Lembra de Schleirmacher? Ele também falava em um "sentimento de dependência absoluta". Kierkegaard falava do tal "sentimento oceânico". E Tillich falava de "preocupação última". Todos, com diferentes palavras, estão falando da mesma coisa. Mas outra vez, insisto em não querer separar isso do que chamamos de "religião", mesmo em suas formas institucionais. Acho que a questão não está na proximidade ou na forma institucional. Para mim o problema é de outra ordem. É óbvio que a instituição tende a petrificar o carisma, tende a impor relações de poder que acabam domesticando a experiência com o sagrado. Mas eu fico me perguntando se a experiência espiritual (dentro ou fora da instituição) pode ser traduzida em outros símbolos que não sejam religiosos. Fico me perguntando se ela pode ser traduzida numa linguagem que não seja mesmo mítica, simbólica, sagrada, religiosa. Se quisermos usar a palavra "religião" como sinônimo de "instituição religiosa", aí de fato não dá pra dizer que isso é a mesma coisa que "sentimentos religiosos". Mas acho que a palavra "religião" deve ser pensada com um alcance maior que as instituições. Ela antecede às instituições, ela extrapola as instituições, e confundi-las é um erro.

N.A - Se religião e espiritualidade não podem ser pensadas separadamente, podemos dizer então ser religioso é também ser espiritual. Como entender então a proposta de Bonhoeffer de um cristianismo não religioso?

P.N - Não podemos esquecer que esse conceito de Bonhoeffer ficou inacabado, como um esboço apenas. Ele não teve como desenvolver as implicações dessa proposta. Do que ele indicou, me parece que o "cristianismo arreligioso" está mais para uma espécie de humanismo radical que outra coisa. Chega a me lembrar o existencialismo de Sartre, uma vez que Bonhoeffer propõe que toda referência a Deus e às coisas da religião sejam esquecidas. "O homem deve viver sua vida como se Deus não existisse", diz ele. Como alguém já disse, é uma forma de "ateísmo cristão". Tem lógica? Não sei! Precisaríamos aprofundar mais isso. Suspeito que o contexto de completa desilusão com o protestantismo alemão deva ser levado em consideração na análise da produção de sua proposta. Como entendo a espiritualidade em referência ao que a Bíblia chama de vida no Espírito (e outras tradições chamam de outros nomes), não consigo igualar a proposta de Bonhoeffer a uma proposta de espiritualidade, embora ela seja mesmo tentadora.

N.A - Muita gente profundamente religiosa manifesta atitudes contrárias a uma espiritualidade sadia. Essa distinção procede? Como podemos classificar essas duas vertentes da relação com o sagrado?

P.N - As pessoas manifestam comportamentos ambivalentes nos diversos campos da cultura humana. O da religião é só mais um. Conforme a psicanálise freudiana, a ambivalência é nossa condição inescapável, de tal maneira que não há "espiritualidade sadia" que nos livre dela. Agora, a idéia de uma "espiritualidade sadia" não depende de um mundo de coisas? O que é sadio aqui, não é ali, e vice-versa. Então, uma espiritualidade só poderia ser "sadia" dentro dos limites simbólicos de dada cultura onde as noções de "sadio" e "doentio" estão mais ou menos convencionadas. Georges Canguilhem (orientador de Michel Foucault) tem um livro clássico, chamado O normal e o patológico, onde essas coisas são trabalhadas magistralmente. Por que não haveria uma "religiosidade sadia"? Dizer que não, não seria dizer que a religião é intrinsecamente má? Não retornaríamos assim ao início dessa discussão? E uma espiritualidade doentia seria possível? Por que não?

P.N - Vamos pensar um pouco a relação religião e espiritualidade mais a partir de algumas práticas. Nossa tentação é avaliá-la apenas teoricamente. Vamos tentar analisar algumas práticas. Talvez você diga assim: "mas justo as práticas mostram como a religiosidade é nociva, alienante, castradora, preconceituosa, etc". A questão simples é: todas elas? O que me faz resistir à dicotomia radical entre esses dois termos é a prática de algumas pessoas, dentro das instituições religiosas. Francisco de Assis, Albert Schweitzer, Gandhi, Madre Tereza, Martin Luther King, Dom Helder, foram religiosos ou espirituais? Minha resposta é: as duas coisas. Todas essas pessoas foram o que foram dentro de suas instituições. Eles estavam em total descontinuidade com suas instituições? Sim e não. Sim, pois se relacionavam com elas criticamente, nunca absolutizando-as nem transformando-as em um fim em si mesmas. Não, porque toda sua prática estava organicamente ligada às tradições religiosas a que pertenciam. Acho que esses exemplos facilitam compreendermos aquela idéia de continuun entre religião e espiritualidade. Quando se transforma a instituição religiosa em um fim em si mesmo, como muitas pessoas fazem (a maioria líderes), aí o que temos é mais uma forma de idolatria. Mas eu não chamaria isso de religiosidade, mas talvez de institucionalismo religioso.

N.A - Acho que suas ponderações são absolutamente pertinentes e acrescenta tempero ao debate, mas vamos a alguns desdobramentos:

Consideremos que essas pessoas citadas agregaram em suas práticas religião e espiritualidade e poderiamos acrescentar muitas outras pessoas que fizeram e fazem a mesma coisa. No entanto, resisto a idéia de um continuun necessário por perceber que em sua grande maioria se verifica descontinuidade entre as duas coisas, ou seja: acredito que alguém possa ter condutas ou praticas espirituais sem ser religioso, o que abriria a possibilidade de alguem ser religioso sem práticas espirituais, ou ainda de alguém ser mais religioso que espiritual (ênfase na religião) ou mesmo dessa pessoa ser mais espiritual que religioso (ênfase na espiritualidade). Concordo, no entanto que essas coisas não são estanques, elas são subprodutos uma das outras e interagem entre si, de forma que a religiosidade tende a produzir valores espirituais e a espiritualidade conduz a práticas religiosas (não necessariamente mas possivelmente) Por outro lado eu particularmente não ligo religiosidade a institucionalismo mas aos elementos exteriores tais como ritos, simbolos, cultos, doutinas, etc. Indispensaveis à religião mas não ao desenvolvimento da espiritualidade.


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