domingo, setembro 27, 2009

Coisas fáceis e difíceis


Sinceramente eu cansei de pensar na vida como uma coisa complicada.

Acho que a vida é simples, nós é que a tornamos difícil. Preferimos sofrer pelo que não temos a nos alegrar com o que temos. Esquecemos de ser felizes na Busca pela felicidade, esquecemos que a felicidade se encontra nas pequenas coisas da vida. Um gesto, um olhar, um abraço sincero....

Amar é simples, beijar também, sonhar é bom, querer alguém. sorrir é fácil, andar sem rumos, sem pressa sem maiores intenções.

Fazer amigos, sorrir de si mesmo, aprender com erros, aceitar a si mesmo.

Apreciar a chuva, sentir o cheiro da terra, apreciar o sabor das frutas. Preparar a comida e comer com prazer, por prazer e para sentir prazer.

Acho que a vida é boa, que viver é fácil, difícil é o suicidio.

Amar é simples, complicado é odiar.

Perdoar é fácil, difícil é alimentar o desejo de vingança.

Eu já decidi. Quero as coisas mais simples da vida, olhar as flores, os pássaros, as borboletas, quero pescar, nadar no rio, quero sonhar, quero viver, enfim quero ser feliz.

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sábado, setembro 26, 2009

Sobre a morte e morangos.



Recentemente me encantei com um texto escrito por um colega, intitulado “sobre Leões e Morangos”. Em síntese, se baseia num conto acerca de um homem que andava pela floresta e se deparou com um leão. Tentando fugir ele caiu em um despenhadeiro más conseguiu se agarrar em um arbusto, e ali ficou pendurado. No entanto, ele percebeu que ali ao lado havia um morango bem maduro, vermelho e saboroso então ele estendeu a mão, pegou o morango e comeu.

Fiquei pensado... É verdade, todos nós vivemos como que pendurados num despenhadeiro, a qualquer hora o galho pode se quebrar e... Mas “que o medo da morte não nos impeça de comer os morangos da vida”. Muita gente está tão preocupada com a possibilidade de morrer, de ficar doente, ficar desempregado, sofrer uma separação, perder um ente querido, ..., que já não consegue ver, colher e muito menos comer os morangos que a vida oferece. Devemos aprender com a história desse homem; enquanto a morte não vem, enquanto os infortúnios não chegam (e talvez nem cheguem) devemos ter a sensibilidade necessária para aproveitar o que a vida tem de melhor, e se olharmos bem para trás veremos quantos morangos já deixamos de colher, impedidos pelo medo de cair.

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segunda-feira, agosto 17, 2009

SOBRE RELIGIÕES, PÁSSAROS E GAIOLAS

TEXTO DE O GRANDE INQUISIDOR DO LIVRO

"OS IRMÃOS KARAMAZOV”
De Fiódor Dostoievski

...( Jesus havia voltado à terra e andava incógnito entre as pessoas Todos o reconheciam e sentiam o seu poder, mas ninguém se atrevia a pronunciar o seu nome. Não era necessário. De longe o Grande Inquisidor o observa no meio da multidão e ordena que ele seja preso e trazido à sua presença.. Então, diante do prisioneiro silencioso, ele profere a sua acusação )...

“Não há nada mais sedutor aos olhos dos homens do que a liberdade de consciência, mas também não há nada mais terrível. Em lugar de pacificar a consciência humana, de uma vez por todas, mediante sólidos princípios, Tu lhe ofereceste o que há de mais estranho, de mais enigmático, de mais indeterminado, tudo o que ultrapassava as forças humanas: a liberdade. Agiste, pois, como se não amasses os homens... Em vez de Te apoderares da liberdade humana, Tu a multiplicaste, e assim fazendo, envenenaste com tormentos a vida do homem, para toda a eternidade...”

Os homens dizem amar a liberdade, mas, de posse dela, são tomados por um grande medo e fogem para abrigos seguros. A liberdade dá medo. Os homens são pássaros que amam o vôo, mas têm medo dos abismos. Por isso abandonam o vôo e se trancam em gaiolas.

Somos assim : sonhamos o vôo mas tememos a altura . Para voar é preciso ter coragem para enfrentar o terror do vazio. Porque é só no vazio que o vôo acontece. O vazio é o espaço da liberdade, a ausência de certezas. Mas é isso o que tememos: o não ter certezas. Por isso trocamos o vôo por gaiolas. As gaiolas são o lugar onde as certezas moram.

É um engano pensar que os homens seriam livres se pudessem, que eles não são livres porque um estranho os engaiolou, que eles voariam se as portas estivessem abertas. A verdade é oposto. Não há carcereiros. Os homens preferem as gaiolas aos vôos. São eles mesmos que constroem as gaiolas em que se aprisionam...”

Deus dá a nostalgia pelo vôo. As religiões constroem gaiolas

Os hereges são aqueles que odeiam as gaiolas e abrem as suas portas para que o Pássaro Encantado voe livre. Esse pecado, abrir as portas das gaiolas para que o Pássaro voe livre, não tem perdão. O seu destino é a fogueira.

Palavra do Grande Inquisidor.

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quinta-feira, maio 21, 2009

EM BUSCA DE UMA ESSÊNCIA PARA O CRISTIANISMO

O cristianismo não é uma religião do livro”. A frase não é minha, eu a tomei emprestada de Frei Bento Domingues, e foi extraída do artigo “Sem lugares sagrados” [1] Confesso que me encantou pela originalidade, concisão e pela profundidade com que diz tanto em tão poucas palavras.

O Cristianismo realmente não é uma religião do livro! Mais do que nunca precisamos ter essa verdade bem clara em nossas mentes. No entanto, se “o cristianismo não é uma religião do livro”, como de fato não é; se o seu conteúdo não consiste em observância de preceitos sagrados (não comer determinados alimentos, não trabalhar em certos dias da semana, repetir gestos, jejuar determinados dias por semana, orar virado para tal ou qual lugar, etc). Se a prática do cristianismo não se encontra explicitada em Cânones, que precisam ser observados ao pé da letra; se o ser cristão não pode ser resumido a fazer parte de determinada denominação. Há que se perguntar então: Em que consiste a essência do cristianismo? Qual deve ser então a conduta do cristão em sua caminhada no mundo?

Muitos livros já foram publicados buscando esclarecer qual seja a essência do cristianismo, muitos deles de ótima qualidade. Não podemos deixar de citar, por exemplo, Ludwig Feuerbach, que intitulou uma de suas obras como “A Essência do Cristianismo” e outra como “A Essência da Religião”. Na verdade, discernir o que seja a essência do cristianismo, é uma tarefa urgente e fundamental uma vez que dessa definição depende a nossa postura em relação à missão do cristão no mundo. Sabemos das dificuldades em se fornecer uma resposta final a tal questão, no entanto, podemos apresentar algumas possibilidades.

O CRISTIANISMO NÃO É UMA RELIGIÃO DE RÉGRAS LEGAIS E SIM UM ESTILO DE VIDA BASEADO EM PRINCÍPIOS ÉTICOS. Tenho certeza que você já ouviu esta frese de forma recorrida, ela talvez possa ser considerada um chavão. No entanto, eu a tenho como relevante, e faria muita diferença a levarmos a sério. Se o cristianismo não é uma religião, quais são os elementos basilares que o sustentam? Não seriam os ritos, os símbolos e muitos menos o sistema doutrinário, que muitas vezes se tornam a única coisa visível em alguns círculos do cristianismo moderno. Tudo isso faz parte da estrutura de uma religião. Diferentemente daquilo que efetivamente conhecemos, o cristianismo é essencialmente um sistema baseado em princípios éticos, e suas bases fundamentais são as relações interpessoais. Em sua caminhada histórica, o cristianismo se conformou em ser apenas uma religião, e mais, passou a reivindica ser a única religião verdadeira. Nesse sentido, sustenta Karl Barth ser este o grande erro do cristianismo, ter se tornado uma religião. Nesse momento nos encontramos numa encruzilhada; podemos continuar a seguir o cristianismo em seu formato religioso, ou voltar à sua essência e restaurar a sublimidade do evangelho que é exatamente a libertação das estruturas legalista que marcavam a religião judaica.

O CRISTIANISMO NÃO SE BASEIA NUMA TEORIA SOBRE O BEM E O MAL E SIM NA PRÁXIS DO AMOR AO NECESSITADO. Embora seja exatamente isso que verificamos na práxis da igreja, Isto é, uma eterna repetição de frases, textos e experiências envolvendo a luta cósmica entre o bem e o mal, não deveria, no entanto ser assim. Analisando a práxis de Jesus, verificamos que ele não perdeu tempo teorizando a existência ou não de um dualismo, não se tornou um caçador de espíritos; mesmo nos casos em que os textos fazem referencia a espíritos, na verdade Jesus não está preocupado com eles, e sim com o homem que de certa forma vivia as conseqüências de uma existência sufocada por uma religião legalista e excludente. Nessa forma cristianismo, Deus deixa de ser o Senhor, aquele que tudo governa e passa a ser visto como um conquistador, uma espécie de Gengis Khan divino, guerreando em solo inimigo a procura de despojos. Numa linguagem evangélica, “saqueando o inferno”. O cristianismo acabou por criar um demônio forte que a tudo controla e um Deus fraco, que luta desesperadamente para reconquistar o espaço perdido.

A PROPOSTA DO CRISTIANISMO É HUMANIZAR O HOMEM E NÃO ESPIRITUALIZÁ-LO. Creio que o cristianismo precisa humanizar o ser humano, quanto mais espiritual, mais humano. Lembremos que Jesus se destacou entre nós não pela sua espiritualidade e sim pela expressão máxima de sua humanidade, ninguém foi mais humano que Jesus. Historicamente o cristianismo tem se esforçado para espiritualizar o homem, e nessa busca, se voltou para a metafísica, para o “mundo espiritual”, e passou a combater pretensas forças espirituais, que supostamente são responsáveis pelas mazelas do mundo. Essa concepção determinista/fatalista lançou o homem em uma aventura cósmica, a viver em um mundo assombrado por espírito onde o mal é a regra e o bem a exceção e mais do que isso, gerou uma espiritualidade desencarnada e descomprometida com o mundo real. Creio que o evangelho não pode ser visto apenas como um projeto para a outra vida, ele precisa fazer diferença aqui e agora.
Quais são as implicações de uma re-visão acerca da essência do cristianismo? Talvez ela nos traga uma amarga constatação, de que a história da Igreja nesses dois milênios, tem sido uma caminhada para longe do verdadeiro cristianismo, e talvez cheguemos à conclusão de que somos bons religiosos, porém, talvez nem sejamos verdadeiramente cristãos.

[1] Artigo publicado no blog da Universidade Lusofona, disponível para consulta em vernáculo em http://teologizar.blogs.sapo.pt.

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quinta-feira, abril 02, 2009

Olhando para o Passado, Enxergando o Futuro! “Os Batistas Brasileiros no divã da História”

“Restam-nos a nostalgia e o lamento. Parece que, cansado, Deus abandonou-nos à mercê das nossas próprias inconseqüências.” (Pr. Carlos Cesar Novais)

Não sou saudosista, não acredito nessa história de que “já não se fazem coisas como antigamente”. Parafraseando as palavras do Pr. Ed René Kivitz, em seu livro Quebrando Paradigmas, podemos dizer que isso é porque “já não se fazem coisas para antigamente”, fazemos coisas para o presente e para o futuro. Não creio que o passado seja melhor e que o novo seja diabólico pelo simples fato de ser novo.

Por outro lado, também não sou um sonhador, um tipo de “José do Egito evangélico”, que vive no mundo dos sonhos, buscando sentido nas filigranas da religião; crendo que tudo acontece pela ação de anjos ou de demônios que impedem a sua realização. Quero antecipar que a culpa pelos nossos infortúnios não se encontra no mundo espiritual. Penso como Rubem Alves em seu livro A Gestação do Futuro, que o futuro não é algo determinado, pronto e acabado, ele depende das decisões que tomamos hoje, Deus constrói o futuro juntamente conosco.

No caso dos Batistas brasileiros, e em especial dos alagoanos, acho que olhar para trás, e enxergar o futuro num processo de regressão meta-histórica talvez seja um exercício psicanalítico necessário, uma espécie de terapia às avessas para que possamos nos entender (ou não), encarar as nossas neuroses e esquizofrenias e quem sabe, uma vez conscientes das nossas enfermidades, possamos reencontrar o caminho para garantir a nossa existência no 3º, no 4º ou sabe-se lá em qual milênio. O desafio é sentarmos no divã da história e deixar que ela revele as nossas patologias, uma espécie de regressão coletiva.

Por ocasião da Assembléia da Convenção batista Brasileira em Brasília, algumas inquietações começaram a surgir naqueles que ali estiveram. Creio que o senso comum é de que alguma coisa precisa ser mudada; precisamos avançar bastante para que possamos chegar ao local onde já estivemos antes. Veja bem, neste momento precisamos caminhar para o futuro para chegar ao passado (Freud explica), uma vez que nesse momento o nosso futuro ainda é o nosso passado.

Calma, antes que alguém resolva chamar o psiquiatra para fazer um diagnóstico da minha sanidade, eu explico: Nos últimos tempos nós temos andado com a marcha ré engatada; caminhamos tanto para trás que por mais que caminhemos para frente, ainda assim estaremos em um terreno pelo qual já passamos. Segundo o Pr. Paulo Maurício Lomba:

“Já fomos a maior denominação evangélica do Brasil! Já tivemos o maior parque gráfico da América Latina! Já realizamos as maiores campanhas missionárias de todos os tempos! já fomos recordistas em impressão e vendas de Bíblias (Imprensa Bíblica Brasileira!) Já tivemos um pastor batista brasileiro como presidente da Aliança Batista Mundial! Já tivemos os maiores seminários teológicos da América Latina!”[1]

Podemos acrescentar ainda que já fomos proprietários de um Banco![2], de uma Junta de Rádio e Televisão, dos mais respeitados colégios evangélicos do Brasil, e por ai vai. Veja que nós já “fomos” e já “tivemos”; a verdade é que atualmente “nem somos” e “nem temos” mais. Os tempos de abundância passaram, e nos últimos anos vivemos períodos de vacas magras; fomos ultrapassados em números por denominações que aqui chegaram depois de nós, já não temos onde publicar nossa literatura (utilizamos serviços terceirizados) e cedemos os direitos sobre a impressão de nossas Bíblias para terceiros. Nosso trabalho missionário não vai bem. Nosso patrimônio está sendo vendido em todo o país para pagar dívidas com o Estado. Bem, para não ser enfadonho, prefiro parar aqui; acho que já temos um quadro psicanalítico que indica que de certa forma vivemos hoje o Cativeiro Babilônico dos Batistas. Na opinião do Pr. Carlos Cesar Novais:

Como aconteceu a outras tantas denominações ao longo desses vinte séculos de cristianismo, os batistas surgiram, cresceram e agora, em muitos países, vemos sinais claros do seu melancólico ocaso[3]

Mesmo sem a pretensão de oferecer respostas aos nossos graves problemas que enfrentamos como denominação, proponho um olhar despretensioso sobre a nossa realidade em buscas de um diagnóstico que ateste a nossa momentânea insanidade.

UM POVO SEM JUIZ E SEM REI: A CRISE DE LIDERANÇA

Tenho lido a respeito das frustrações que se abatem sobre os nossos líderes, o desânimo que enfrentam em perseverar nessa caminhada. Talvez devêssemos ter coragem e dizer como Ricardo Gondim, “Estou Cansado”, como faz em um sincero desabafo pastoral:

Cansei! Entendo que o mundo evangélico não admite que um pastor confesse o seu cansaço. Conheço as várias passagens da Bíblia que prometem restaurar os trôpegos. Compreendo que o profeta Isaías ensina que Deus restaura as forças do que não tem nenhum vigor. Também estou informado de que Jesus dá alívio para os cansados. Por isso, já me preparo para as censuras dos que se escandalizarem com a minha confissão e me considerarem um derrotista. Contudo, não consigo dissimular: eu me acho exausto.[4]

Vivemos hoje uma crise de liderança em nosso meio, não que não tenhamos líderes preparados, pessoas sérias e comprometidas com o reino e que amam profundamente o evangelho. O que se percebe na atualidade é uma indisposição generalizada para continuar levando pancadas, ouvindo palavras agressivas e desrespeitosas, muitas vezes produzidas em discursos inflamados e em pareceres apaixonados que em nada lembram que estamos em um ambiente formado por pessoas cristãs. Em artigo duro e igualmente emocionado intitulado Vergonha e Desesperança, o PR. Carlos Cesar Novais assim se expressa:

Tenho vergonha de participar das reuniões do conselho administrativo e das assembléias convencionais, onde — numa patética passarela de encenações e dissimulações — desfilam a mentira, a ironia, a desfaçatez, a astúcia da serpente, a hipocrisia dos fariseus e a violência dos gananciosos. Tenho vergonha de uma denominação que, apesar de estar inserida numa sociedade com graves crises e problemas complexos, aos quais deveria responder com marcantes ações de influência ética, prefere dar amplo espaço a disputas mesquinhas, à estúpida chama da fogueira das vaidades, à repartição implacável dos seus despojos, optando por rodear em torno do seu próprio umbigo, enclausurar-se em seu próprio casulo e tornar-se assim inútil porque fútil, tão fútil e inútil quanto estruturas outras que o tempo fez o favor histórico de enfraquecer, desmontar e extinguir.[5]

Cansados de lutar em vão, muitos preferem se retirar para o aconchego de suas igrejas e não querem sequer ouvir falar em envolvimento denominacional. Vivemos um verdadeiro “salve-se quem puder”, “cada um por si e Deus por todos” ou ainda “todos por mim e eu por ninguém”. Mais do que nunca entendemos as palavras de Jesus, “ferirei o pastor e as ovelhas se dispersarão”, (Mat. 26:31), são tempos de pastores feridos e ovelhas dispersas; líderes machucados, desmotivados, sem forças para continuar. Nesse cenário, sem uma liderança capaz de unir os batistas vivemos o drama do povo de Israel na transição entre a judicatura e a monarquia, “naqueles dias não havia rei em Israel; cada um fazia o que parecia bem aos seus olhos” (Juízes 21:25).

A ILUSÃO DA DEMOCRACIA ABSOLUTA: UM POVO A BEIRA DA ANARQUIA

Não quero ser simplista, sei exatamente que estamos mexendo em um vespeiro, no entanto, não podemos deixar de tocar em um ponto nevrálgico o nosso modelo administrativo. Talvez com um pouco de atraso seja tempo de re-pensar a nossa forma administrativa. Qual o motivo pelo qual enfrentamos dificuldades para gerenciar o nosso patrimônio?

No caso específico dos batistas alagoanos, enfrentamos a vergonha de estarmos hoje alijados dos meios de comunicações a todos disponíveis. Não possuímos programas de televisão, nem de rádio pelo qual possamos nos fazer ouvir (já que até mesmo o velho “Voz Batista” fechou). Não possuímos um jornal Batista, (já nem lembro quando foi que saiu o último exemplar) nem mesmo um blog oficial existe hoje em nosso meio. Vivemos sem dúvida o ocaso da nossa denominação.

Todos nós concordamos que a democracia é uma conquista batista, a luta pela liberdade das pessoas é uma bandeira levantada no passado e que deve permanecer hasteada. O que não se pode negar é que perdemos muito tempo em intermináveis reuniões, comissões, pareceres, GTs e por ai vai. Enquanto os batistas se preparam para mais uma reunião, denominações que ainda deveriam usar fraldas se comparadas com os batistas, passam a nossa frente, conduzida por administrações ágeis e eficientes. Talvez seja hora de termos coragem e admitir que o modelo faliu e não adianta remendar; precisamos de vinho e de odres novos.

A nossa propalada “autonomia” oriunda do princípio da liberdade se transformou em individualismo, e em alguns casos em motivos para a indiferença. Na verdade somos hoje um povo à beira da anarquia e nesse isolamento, vivemos “encaramujados” “ensimesmados” acreditando e pregando que ainda somos os melhores. Queira Deus que a nossa loucura seja revelada no divã da história, pois, se nos negarmos hoje a ouvir a história, não fugiremos de pagar a conta; e a história sabe cobrar.



[1] Os Batistas Brasileiros Em Brasília. Matéria de capa do boletim da Igreja Batista Asa Sul em Brasília, em texto assinado pelo Pr. Paulo Maurício Lomba

[2] Informação prestada pelo Pr. Ademar Paegle da Igreja Batista Casa Amarela em Recife. Segundo informou, tivemos um banco batista que faliu.

[3] Vergonha e Desesperança. Texto disponível em:

http://hojeteologia.blogspot.com/2008/10/vergonha-e-desesperana.html

[5]Vergonha e Desesperança. Texto disponível em:

http://hojeteologia.blogspot.com/2008/10/vergonha-e-desesperana.html

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