quinta-feira, junho 16, 2011

THEOSIS: A DEIFICAÇÃO DA HUMANIDADE (PARTE 7)

Chegamos à ultima publicação sobre o tema da Theosis

UMA FUNDAMENTAÇÃO GNÓSTICO-FILOSÓFICA PARA A DOUTRINA DA DIVINIZAÇÃO DO HOMEM

As raízes da doutrina da Divinização humana podem ser encontradas nos postulados do Gnosticismo, se aceitarmos que o autor de II Pedro estava se posicionando contrariamente as doutrinas Gnósticas emergentes no seu tempo, será difícil entender as razoes pelas quais, temas teológicos como este, seja abordado aqui pelo autor, é provável que o objetivo seja não simplesmente contestar ou negar o seu valor, e sim, fornecer o verdadeiro sentido para verdades, tão profundas e sutis dos propósitos da salvação Em oposição aos postulados teológicos do Gnosticismo.o Apóstolo apresenta seu ponto de vista

Os fundamentos da doutrina gnóstica se encontram no próprio texto sagrado conforme lemos:

“E disse Deus: Façamos o Homem à nossa imagem conforme a nossa semelhança (Gênesis, 1: 26)

Seguindo esta passagem bíblica fundamental – e atendendo à Queda do Homem na matéria -, os gnósticos cristãos tiraram daí todas as conseqüências, pois, com a Queda (que obscurece a sua dignidade espiritual, o Homem, embora mantendo inteira e imanente a imagem divina, perdeu, entretanto a semelhança divina que tinha no Jardim do Éden, mantendo-se esta apenas potencial ou virtual. Essa “semelhança divina”, deverá ser reencontrada e readquirida.

Para os Gnósticos, o alvo da redenção era a participação do homem na natureza Divina, ou seja: a participação do remido no Aeon, emanações angélicas de Deus, tornando-se uma partícula da natureza Divina. Trazendo em si alguns aspectos dos Atributos Divinos, assim a participação do homem na Divindade, consistia na transformação do homem em um Aeon. Materializado em partículas individuais do ser Divino, e ainda de acordo com a Teologia Gnóstica esse novo Aeon era absorvido pela Divindade perdendo sua individualidade e sua identidade. Segundo o comentarista Champlin, a Teologia do autor da Carta de II Pedro vai muito além do pensamento Gnóstico, que aceitava uma participação secundária do homem na Divindade apenas como “AEONS” ou emanações. Para os defensores da Divinização da humanidade, a nossa participação vai muito além e é muito mais real, assim afirma: Haveremos de ser cheios de toda plenitude de Deus (...) chegando a manifestar todas as suas perfeições, todos os seus atributos”. (CHAMPLIN P. 180) A Teologia da Divinização do homem portanto, expressa em termos reais apresenta alguns exageros, que devem ser considerados por exemplo: Ao afirmar a participação na divindade a ponto de manifestar “todas as suas perfeições” e todos os seus “atributos”, podemos afirmar que a doutrina atinge o seu ápice com uma “deificação real” do homem tornando-se por assim dizer “deuses”, seres onipotentes capazes de realizar qualquer coisa, este é o ponto em que procura evitar a maior parte dos defensores da doutrina da “Divinização do homem”, no entanto rejeitando, portanto, a sua “deificação”

Ao analisar a possível absorção do homem em Deus. A teologia Gnóstica é ampliada pelos defensores desse postulado, dando a ela uma aplicação mais pessoal, em função dos seus pressupostos teológicos. “Mais a verdade é que os remidos participarão da Divindade, sem perderem sua identidade pessoal, tal como o filho é dis­tinto do seu pai, embora ambos tenham a mesma natureza”. (CHAMPLIN P. 180)

Seguindo esta perspectiva, é responsabilidade do Homem readquirir essa dignidade espiritual, que ele possuía in principio e que perdeu com a Queda, passar enfim da potencialidade à realidade divina. Para tal são precisas duas coisas: a existência da potencialidade (uma graça divina) e a realização dessa virtualidade (pelo esforço pessoal e pela graça), isto é a divinização, os que são, na realidade, dois momentos indissociáveis do percurso do cristão. Recorde-se que para a Gnose, apesar da Queda, “existe no Homem uma parcela divina ou espiritual que provém do mundo superior e que aspira a ser purificada da ganga que a aprisiona, a fim de retornar à sua pátria celeste” (J.M. Ansembourg, La gnose et les gnoses, in “L’Esprit des cchoses”, vol. III, nº. 8-9, CIREM, Guérigny);

Segundo a crença gnóstica, “um ou vários mediadores descem através dos Éons (ou Aions) para trazer aos Eleitos a Gnose que lhes dará aqui em baixo a purificação e a via de repatriamento, isto é, a regeneração (para os gnósticos cristãos). O último e o único Mediador é o Cristo (que transmitiu secretamente a Gnose aos seus discípulos” (J.M. Ansembourg, La gnose et les gnoses, in “L’Esprit des cchoses”, vol. III, nº. 8-9, CIREM, Guérigny.)

Para a Gnose, apesar da Queda, “existe no Homem uma parcela divina ou espiritual que provém do mundo superior e que aspira a ser purificada da carne que a aprisiona, a fim de retornar à sua pátria celeste”; além disso, “um ou vários mediadores descem através dos Éons (ou Aions) para trazer aos Eleitos a Gnose que lhes dará aqui em baixo a purificação e a via de repatriamento, isto é, a regeneração. Para os gnósticos cristãos. O último e o único Mediador é o Cristo que transmitiu secretamente a Gnose aos seus discípulos.

A palavra gnose aparece já no Novo Testamento 29 vezes – por exemplo, a riqueza, a sabedoria e a gnose de Deus (Rom., 11, 33), o perfume da gnose (II Cor. 2, 14), a chave da gnose (Luc., 11, 52) e Crescei na graça e na gnose de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo (II Pedro, 3, 18) -, com o sentido de ciência secreta, reservada a uma elite (outra “antipatia” a que os gnósticos já nos habituaram…), a qual é transmitida por uma Unção que engendra o Corpo de Glória, fim do processo de divinização, pois ele consiste em tornar o homem inteiro perfeito (“teleios”) em Cristo (I Col., 1: 26-28).

UMA PROPOSTA PANTEÍSTA:

O ESTOlClSMO

Para os filósofos estóicos “A Natureza Divina”, ou Seja, a “THElA PRUSlS”, era uma realidade global, podendo assim ser compreen­dida como urna proposta panteísta para a Doutrina da divinização da humanidade, urna vez que natureza envolve os fenômenos físicos, para ele Deus, homem, natureza física, formavam o “Panta” ou seja a “Theia Phusis”, quanto a proposta do estoicismo, argumenta-se que o sitz ln Leben deste texto aponta para urna compreensão de aceitação de que o salvo participava direta e ativamente da natureza Divina, não como urna atividade globalizante e sim corno transformação da natureza huma­na em uma outra natureza, marcada pela atuação Divina na formação do novo ser .Champlin não tem dúvida quanto a esta verdade sustenta este que: “Os remidos na qualidade de filho chegarão a participar de fato do “tipo” de vida de Deus. Essa é a única maneira em que esse termo poderia ter sido entendido nos dias, em que esta epistola foi composta”. (CHAMOLIN p. 180)

A TEOSOFIA:

A nova era tem como um dos seus objetivos a divinização do homem, por isso ele é parte central da sua doutrina. Acreditando que tudo que exista é Deus, no homem Deus se encontra na sua expressão máxima. Dentro do conceito da nova era o homem não é outra coisa senão Deus. Uma das maiores pensadoras da teosofia assim se expressa::
Vocês acreditam que o homem é um deus Por favor, diga Deus e não um deus. Ao nosso ver, o homem é o único Deus que podemos conhecer. E como poderia ser de outra forma? Nosso postulado aceita como verdadeiro que Deus é um principio universalmente difuso, infinito e, sendo assim, como poderia o homem sozinho escapar de ser embebido por essa deidade? Chamamos "Pai do céu" a essa essência deifica que reconhecemos dentro de nós em nosso coração e em nossa consciência espiritual (Helena P. Blavatsky).
Como deus a nova era diz que o homem é causa de tudo que existe na humanidade, ou seja, o bem e o mal, pois tudo reside dentro dele. Nesse conceito dizem também que o homem vem passando por um estado progressivo de consciência em que ele vai chegar a sua divinização, e que cristo não é uma qualidade exclusiva de Jesus, mas que o homem também pode chegar através de sucessivas reencarnações, ainda sobre esse assunto o diabo segundo eles não existe como um ser pessoal.

UMA LEITURA ANTROPOTEOLÓGICA: A DEIFICAÇÃO DO HOMEM

Entende-se por antropoteologia a corrente mais radical que fundamentada na doutrina da Theosis, afirma uma deificação expressa do ser humano. Esta proposta encontra eco também na teologia dos mórmons, na nova era e entre os defensores da confissão positiva.

Um dos maiores expoentes dessa teologia é Kenneth Hagin, afirma ele: “Você é tanto uma encarnação de Deus quanto Jesus Cristo o foi. Cada homem que nasceu de Deus é uma encarnação e o cristianismo é um milagre. O crente é uma encarnação tanto quanto foi Jesus de Nazaré”. (HAGIN, Word Of Faith, pg.14)

Ao afirmar o homem como encarnação da Divindade, Hagin parece acreditar em uma origem Divina do homem tal qual Jesus, Equiparando o homem ao próprio Cristo em todos sentidos.

Copeland vai além ao afirmar explicitamente a Divindade, ou a deidade do salvo. “Você não tem um deus dentro de você, você é um Deus”. (Kenneth COPELAND, Fita Cassete The Force Of Love BBC 56 Citado por Paulo Romeiro em Supercrentes, pg.50)

No pensamento de Copeland, a identificação do homem com Cristo, não o torna apenas Co-Participantes da “Natureza Divina”, torna o salvo o próprio Deus, com todas as implicações teológicas que isso possa trazer. Por exemplo, o politeísmo resultante.da proliferação de novos deuses

Para os protagonistas da doutrina da Theosis: “Até que compreendamos que somos pequenos deuses e comecemos a agir como pequenos deuses, não poderemos manifestar o Reino de Deus”. (Earl PAULK, Satan Un Masked, p. 97 apud Romeiro, p. 50)

REFERENCIAS

1 -GREEN, Michael. II Pedro e Judas, Introdução e Comentário série, Cultura Bíblica, 1ª Edição Co-Edição Vida Nova, São Paulo: Mundo Cristão, 1983.

2 -COTHENET, Edouard. As Epístolas de Pedro, Cadernos Bíblicos, São Paulo: Ed. paulinas, 1986.

3 - HAGGLUND, Bengt. História da Teologia, Tradução Mário L. REHFELDT,, Porto Alegre: Ed. Concórdia, 3ª Edição, 1986.

4 -CHAMPLIN, Russell Norman. O Novo Testamento Interpretado Versículo por versículo, Vol. VI , Guaratinguetá/SP: Ed. A Voz Bíblica Brasileira.

5 -MARTIN, Ralf P. Colossenses e Filemon, Introdução e Comentário, Série Cultura Bíblica, 2ª Edição, São Paulo: Co-Edição Vida Nova, Mundo Cristão, 1987.

6 -RIENECKER, Fritz; ROGERS C. Leon, Chave Lingüística do Novo Testamen­to Grego, Tradução Gordon Chow e Julio Paulo Zabatiero, São Paulo: Edições vida Nova, 2ª Edição, 1988.

7 – BÍBLIA DE JERUSALÉM. Nova Edição Revista, 3ª Impressão, 1987, São Paulo/SP. Edições paulinas.

8 – BÍBLIA VIDA NOVA, Edições Vida Nova.

9 - BRUCE, F.F. João, Introdução e Comentário, Série Cultura Bíblica, 1ª Edição, São Paulo: Co-Edição Vida Nova/Mundo Cristão, 1987

10 - ROMEIRO, Paulo. Supercrentes, o Evangelho Segundo Kennet Hagin, Valnice Milhomens e os Profetas da Prosperidade, São Paulo SP: Ed. Mundo Cristão, 1993.

11-REINOLDS, Noel B, MILLET, Robert L.Cristianismo Nos Últimos Dias Dez Questões Básicas (M&R-98) Provo, Utah: FARMS, . P. N/A

12 - ANES, Jose Manoel, A Theosis. Criação do Homem Divino, Instituto São Thomas de Aquino, 2005

13. MACGRATH, Alister E. Teologia – Sistemática, Histórica e Filosófica, Uma Introdução à Teologia Cristã, São Paulo Shedd, , 2005

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sexta-feira, junho 10, 2011

UMA SOCIEDADE PARA TODOS: UM PAÍS DE HOMOS E DE HÉTEROS

Esse texto é fruto de uma conversa informal, travada com um velho amigo acerca da querela envolvendo os homossexuais, PL 122, e decisão do STF. Diante de algumas ponderações feitas pelo meu articulista acerca dos direitos pleiteados pelos homossexuais (que deixo de transcrever aqui por respeito) resolvi escrever e refletir sobre o assunto.

Devo dizer inicialmente que tal ponto de vista não manifesta a opinião de qualquer instituição ou grupo organizado, é uma opinião pessoal. Segundo que não estou emitindo parecer sobre a homossexualidade, como certa ou errada do ponto de vista religioso, bíblico, teológico, filosófico ou moral (isso já seria outro debate) Mas como tenho recebido inúmeros manifestos assinados, a exemplo do “Manifesto da Convenção Batista Brasileira” e do “manifesto de Afirmação da Heterossexualidade” defendendo o “sagrado direito de condenar”, textos a meu ver carregados de moralismos e por que não dizer de hipocrisia, resolvi também me posicionar.

Existe uma máxima que ensina que se quisermos que um movimento se fortaleça basta começar a combater. Aconteceu com o cristianismo lembra? Cresceu motivado pela perseguição romana. Também com a igreja Universal do Reino de Deus, que de um negócio desconhecido, numa funerária do rio de Janeiro se tornou uma potencia mundial incentivada pela perseguição empreendida pela Rede Globo que deu visibilidade ao movimento e alavancou seu crescimento.

Creio que esse movimento não nos ameaça, se soubermos lidar com ele de forma madura e inteligente. Como disse Jesus aos apóstolos que queriam proibir o homem expulsava demônios em nome de Jesus: “Não proibais (...) quem não é contra nós é por nós” Marcos 9: 39 -40. A guerra religiosa não impediu que leis fossem aprovadas em diversos países (inclusive a Argentina) e nenhum país no qual o casamento homossexual foi aprovado mergulhou no caos como se pretende afirmar que acontecerá com o Brasil.

Quanto a direitos, o Brasil está repleto de leis que protegem determinados grupos e lhes conferem direitos especiais. Lei Maria da Penha (Mulheres) Se o homem bater na mulher vai preso mas se a mulher bater no homem não tem lei específica, apenas em caso de lesão, se aplica o Código Penal. Idosos (Estatuto do Idoso) Por ser idoso muita gente goza de direitos que a maioria não possui, viajar de graça, não pegar fila, prioridade na tramitação de ações, e por aí vai. Crianças e adolescentes: (ECA) não podem ser presas, mesmo matando roubando e fazendo o diabo. E veja bem, se alguém disser qualquer coisa que ofenda um adolescente (com 17 anos e 11 meses, o bicho pega). Deficientes físicos (existem várias leis federais e estaduais, inclusive aqui em alagoas) que os protege, assegurando-lhes dignidade, Quer ver uma coisa, bate num deficiente! Negros: Vá chamar alguém de negro! É crime de racismo e preconceito de cor. Tem que ser afro descendente, mas se o negro chamar o branco de “Branquelo”, não é crime nenhum. Cotas de vagas em concursos públicos e para ingresso em Universidades. Igrejas: não pagam impostos, diferentemente das demais instituições que são obrigadas a pagar. Devemos lembrar que Jesus pagou impostos e ainda orientou os apóstolos a pagar, no famoso “Daí a Cesar o que é de Cesar” Nesse caso ninguém que seguir a Bíblia. Políticos: Possuem imunidade parlamentar, não pode ser preso normalmente, e embora todo dia saia escândalos, eles não cometem roubo, e sim apenas “desvio de verbas” Juízes, não podem ser demitidos (por crime em razão da profissão) a pena máxima que podem pegar é ser aposentado com o salário integral, será que alguém contesta isso? e por aí vai.

Sinceramente, não vejo a igreja se levantar contra nada disso. Deixa os homossexuais pra lá, eles não terão direitos maiores que a maioria dos que já citei. A lei não é igual para todos. Não entendo por que essa guerra contra os homossexuais, parece que apenas eles não podem possuir direitos; e não se pode dizer que não necessitem. São mortos, ofendidos, descriminados, perseguidos e expropriados pelo fato de possuir uma orientação sexual diferente. Eu pergunto: isso é justo?

Tem a igreja o direito de continuar julgando as pessoas baseado apenas em suas convicções religiosas? O país não é uma igreja, as pessoas não são obrigadas a seguir a Bíblia, a não ser que aceitem livremente obedecer as orientações de alguma denominação cristã. Então, ou a gente combate tudo, ou deixa que a sociedade se organize com base em leis civis que proteja a todos, independente de credo religioso, cor, idade, posição social, ou qualquer que seja a razão.

Quero lembrar que os negros só passaram a ser respeitados como pessoas, mesmo com a fim da escravidão, depois que o racismo foi criminalizado (e a Bíblia oferece base para considerar que não possuíam direitos, já que foram amaldiçoados por Deus). Acho estranho que muitos negros critiquem a busca dos homossexuais por seus direitos.

A mulher só passou a ter um pouco de dignidade depois que se criminalizou a prática de bater nelas pelo fato do agressor ser o marido, namorado, ou simplesmente mais forte. E muita gente que critica o direito dos homossexuais são mulheres que desfruta de direitos que apenas elas possuem.

Muita gente que se coloca na linha de frente para combater a PL 122, aproveita os direitos concedidos aos idosos, aos deficientes, às suas crianças, igrejas que levantam bandeiras contra a homofobia, se apegam aos direitos adquiridos, muito embora muita gente os utilize para enriquecer sem pagar impostos.

Não se está dizendo que os problemas acabaram, mas pelo menos há um amparo jurídico para punir os infratores. Creio para que se possa viver em sociedade é necessário garantir que todos vivam com dignidade, desde que suas ações não causem danos aos outros. Não vejo como o direito dos homos represente ameaça aos héteros. Temos que nos lembrar que o Brasil não é um país feito apenas de héteros, querendo ou não ele é feito de heterossexuais e de homossexuais que precisam ser respeitados como cidadãos. Como igreja, deveríamos ser os primeiros a defender a vida e a dignidade dessas pessoas. Vamos parar com essa tendência de colocar a fé acima do amor, a Bíblia recomenda amar a todos e não faz exceção. Vamos deixar de julgar e condenar as pessoas, se elas estiverem erradas, prestarão contas a Deus. (A Bíblia é taxativa não julgueis e não sereis julgados) Se queremos obedecer a Bíblia, antes de sair por aí caçando homossexuais, lésbicas, e seus congêneres, devemos nos lembrar da orientação que ensina a não julgar nem condenar ninguém.

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quinta-feira, junho 09, 2011

THEOSIS: A DEIFICAÇÃO DA HUMANIDADE (PARTE 6)

A DEIFICAÇÃO HUMANA, NATUREZA E EXTENSÃO:

Quanto a determinar a natureza da Divindade humana, não nos parece fácil, uma vez que a própria encarnação está no âmbito do mistério. Tanto que compreender a relação entre humanidade e Divindade em Cristo foi uma das maiores dificuldades dos primeiros séculos, dando origem as grandes controvérsias Cristológicas produzindo em seu bojo seus “hereges” e “heróis”:

Quanto a extensão dessa deificação, as opiniões são divergentes o que em certo sentido pode contribuir, para uma reflexão mais substantiva do tema em epígrafe.

A DEIFICAÇÃO HUMANA: SUA NATUREZA:

Na opinião de Rienecker e Rogers, a expressão natureza não significa a possibilidade da absorção da humanidade pela Divindade, segundo este: “Pedro não está dizendo que os seres humanos são absorvidos na Divindade, mas assim que todos aqueles que participam de Cristo participarão da glória que há de ser revelada”. (RIENECKER E ROGERS, p. 570)

Para Champlin, a natureza da participação é primária, isto e, o homem participa diretamente daquilo que o próprio Deus é, assim como Cristo é participante da natureza Divina, os remidos também terão aces­so a esta natureza. Apreciemos o seguinte comentário, onde afirma explicitamente: “Os remidos não participarão de alguma natureza Divina secundária, como também Cristo não possui nenhuma natureza Divina secundária”. (CHAMPLIN, op. Cit. p. 179)

O fundamento da proposição aqui, é o princípio da primogenitura de Cristo, “primeiro entre muitos irmãos”, e a doutrina da filiação Divina, como filhos, o salvo agora começa o caminho em direção a plenitude desta filiação, cujo ápice é a participação a natureza do pai.

A DEIFICAÇÃO HUMANA: SUA EXTENSÃO:

Uma questão necessária nesta doutrina, diz respeito a extensão desta participação do homem na Divindade, há uma espécie de consenso entre apologistas e antagonistas deste postulado, reconhecendo que o homem jamais atingira a plenitude da Divindade. Embora participante da natureza Divina, no entanto não poderá jamais gozar dos atributos que satisfazem a plenitude da Divindade, como a onisciência, onipresença e onipotência que são atributos exclusivo da Divindade, o comentário a seguir resume este ponto de vista na teologia de Champlin: “A diferença entre o homem que vier a participar da natureza Divina e essa natureza possuída pelo próprio Deus, não e questão de tipo e sim de extensão, Deus é infinito, assim sendo embora os remidos venham a participar de sua natureza, no sentido mais real, terão menor grau de poder, de glória e etc., a natureza será a Divina mas os atributos estarão sempre em desenvolvimento, mais esta extensão menor da par­ticipação nos atributos Divinos irá sempre aumentando é disso que consiste a vida, aqui ou na eternidade”. (CHAMPLIN Op Cit p. 179)

Fica patente que pelo menos em tese não há uma esperança que o homem chegue a plenitude de Deus. Não serão transformados em deuses a povoar o céu, mais a realidade espiritual implica em mudanças estruturais que capacitem o homem a viver a eternidade, crescendo a cada dia, nesta “Divinização do corpo” pela participação em Cristo. Em que consistiria esta participação, acreditam os apologistas numa constante e progressiva identificação com Cristo, redundando isto no enfraquecimento da carne (mortificação da natureza humana) e pelo fortalecimento da natureza Divina. Assim e que: “Os filhos de Deus vão se tornando cada vez mais com o Senhor e não poderia fazer isso, porem, se não participassem da natureza Divina”. (CHAMPLIN Op Cit p. 179)

Em síntese pode-se afirmar que esta doutrina aponta para uma nova ordem espiritual marcada pela exaltação do ser humano, agora ser transformado, atingindo uma natureza Divina, o que, portanto o coloca acima das outras criaturas inclusive os anjos, esta qualidade de vida superior, é possível pela presença de Cristo no homem produzindo nele as características do próprio Cristo. Este ponto de vista e defendido claramente por Champlin: “Os remidos tornar-se-ão Divinos, ou seja, serão maiores que os anjos”. (CHAMPLIN Op Cit p. 179)

O NOVO NASCIMENTO: COMO UMA PARTICIPAÇÃO NA NATUREZA DIVINA

A identificação do novo nascimento, conceito teológico extensamente conhecido e afirmado na teologia sistemática, com a Divinização da humanidade, ou seja, como uma Co-Participação na natureza Divina. Remete o estudioso a uma nova realidade a de que segundo os protagonistas desta doutrina, o novo nascimento na verdade nos torna Co-participantes da natureza do próprio Deus. Na verdade o novo nas­cimento expresso de forma teórica não pode ser explicado efetivamente de forma inequívoca sobre qual mudança caracteriza este novo nascimento, seria apenas a mudança de comportamento, mudança no pensamento na forma de encarar o mundo. O novo nascimento é algo que atinge o homem como um todo enquanto “carne e sangue”, incapaz de herdar o Reino produzindo nele o novo ser recriado pela ação do Espírito Santo. A exegese a seguir pode lançar um pouco mais de luz sobre o assunto: “... Nascer de novo é mais do que converter-se, é tornar-se um tipo de ser inteiramente novo, que chega finalmente a compartilhar da natureza e da vida de Deus. A conversão é tão somente o primeiro passo terreno na direção do total “novo nascimento”. Sendo realmente nascido de novo, entramos nos lugares celestiais como uma forma nova e prodigiosa de seres, os autênticos Filhos de Deus”. (CHAMPLIN Op Cit p. 180)

De qualquer forma a posição teológica de Champlin, deve despertar a questão sobre o significado real do novo nascimento e suas implicações na participação dos fiéis na herança do pai.

UMA FUNDAMENTAÇÃO GNÓSTICA PARA A DOUTRINA DA DIVINIZAÇÃO DA HUMANIDADE

As raízes da doutrina da Divinização humana podem ser encontradas nos postulados do Gnosticismo, se aceitarmos que o autor de II Pedro estava se posicionando contrariamente as doutrinas Gnósticas emergentes no seu tempo, será difícil entender as razoes pelas quais, temas teológicos como este, seja abordado aqui pelo autor, é provável que o objetivo seja não simplesmente contestar ou negar o seu valor, e sim, fornecer o verdadeiro sentido para verdades, tão profundas e sutis dos propósitos da salvação Em oposição aos postulados teológicos do Gnosticismo.o Apóstolo apresenta seu ponto de vista

Os fundamentos da doutrina gnóstica se encontra no próprio texto sagrado conforme lemos:

“E disse Deus: Façamos o Homem à nossa imagem conforme a nossa semelhança (Gênesis, 1: 26)

Seguindo esta passagem bíblica fundamental – e atendendo à Queda do Homem na matéria -, os gnósticos cristãos tiraram daí todas as conseqüências, pois, com a Queda (que obscurece a sua dignidade espiritual, o Homem, embora mantendo inteira e imanente a imagem divina, perdeu entretanto a semelhança divina que tinha no Jardim do Éden, mantendo-se esta apenas potencial ou virtual. Essa “semelhança divina”, deverá ser reencontrada e readquirida.

Para os Gnósticos, o alvo da redenção era a participação do homem na natureza Divina, ou seja: a participação do remido no Aeon, emanações angélicas de Deus, tornando-se uma partícula da natureza Divina. Trazendo em si alguns aspectos dos Atributos Divinos, assim a participação do homem na Divindade, consistia na transformação do homem em um Aeon. Materializado em partículas individuais do ser Divino, e ainda de acordo com a Teologia Gnóstica esse novo Aeon era absorvido pela Divindade perdendo sua individualidade e sua identidade. Segundo o comentarista Champlin, a Teologia do autor da Carta de II Pedro vai muito além do pensamento Gnóstico, que aceitava uma participação secundária do homem na Divindade apenas como “AEONS” ou emanações. Para os defensores da Divinização da humanidade, a nossa participação vai muito além e é muito mais real, assim afirma: Haveremos de ser cheios de toda plenitude de Deus ( ... ) chegando a manifestar todas as suas perfeições, todos os seus atributos”. (CHAMPLIN P. 180) A Teologia da Divinização do homem portanto, expressa em termos reais apresenta alguns exageros, que devem ser considerados por exemplo: Ao afirmar a participação na divindade a ponto de manifestar “todas as suas perfeições” e todos os seus “atributos”, podemos afirmar que a doutrina atinge o seu ápice com uma “deificação real” do homem tornando-se por assim dizer “deuses”, seres onipotentes capazes de realizar qualquer coisa, este é o ponto em que procura evitar a maior parte dos defensores da doutrina da “Divinização do homem”, no entanto rejeitando, portanto, a sua “deificação”

Ao analisar a possível absorção do homem em Deus. A teologia Gnóstica é ampliada pelos defensores desse postulado, dando a ela uma aplicação mais pessoal, em função dos seus pressupostos teológicos. “Mais a verdade é que os remidos participarão da Divindade, sem perderem sua identidade pessoal, tal como o filho é dis­tinto do seu pai, embora ambos tenham a mesma natureza”. (CHAMPLIN P. 180)

Seguindo esta perspectiva, é responsabilidade do Homem readquirir essa dignidade espiritual, que ele possuía in principio e que perdeu com a Queda, passar enfim da potencialidade à realidade divina. Para tal são precisas duas coisas: a existência da potencialidade (uma graça divina) e a realização dessa virtualidade (pelo esforço pessoal e pela graça), isto é a divinização, os que são, na realidade, dois momentos indissociáveis do percurso do cristão. Recorde-se que para a Gnose, apesar da Queda, “existe no Homem uma parcela divina ou espiritual que provém do mundo superior e que aspira a ser purificada da ganga que a aprisiona, a fim de retornar à sua pátria celeste” (J.M. Ansembourg, La gnose et les gnoses, in “L’Esprit des cchoses”, vol. III, nº. 8-9, CIREM, Guérigny);

Segundo a crença gnóstica, “um ou vários mediadores descem através dos Éons (ou Aions) para trazer aos Eleitos a Gnose que lhes dará aqui em baixo a purificação e a via de repatriamento, isto é, a regeneração (para os gnósticos cristãos). O último e o único Mediador é o Cristo (que transmitiu secretamente a Gnose aos seus discípulos” (J.M. Ansembourg, La gnose et les gnoses, in “L’Esprit des cchoses”, vol. III, nº. 8-9, CIREM, Guérigny.)

Para a Gnose, apesar da Queda, “existe no Homem uma parcela divina ou espiritual que provém do mundo superior e que aspira a ser purificada da carne que a aprisiona, a fim de retornar à sua pátria celeste”; além disso, “um ou vários mediadores descem através dos Éons (ou Aions) para trazer aos Eleitos a Gnose que lhes dará aqui em baixo a purificação e a via de repatriamento, isto é, a regeneração. Para os gnósticos cristãos. O último e o único Mediador é o Cristo que transmitiu secretamente a Gnose aos seus discípulos.

A palavra gnose aparece já no Novo Testamento 29 vezes – por exemplo, a riqueza, a sabedoria e a gnose de Deus (Rom., 11, 33), o perfume da gnose (II Cor. 2, 14), a chave da gnose (Luc., 11, 52) e Crescei na graça e na gnose de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo (II Pedro, 3, 18) -, com o sentido de ciência secreta, reservada a uma elite (outra “antipatia” a que os gnósticos já nos habituaram…), a qual é transmitida por uma Unção que engendra o Corpo de Glória, fim do processo de divinização, pois ele consiste em tornar o homem inteiro perfeito (“teleios”) em Cristo (I Col., 1: 26-28).

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